Outubro - 2011
Eu ainda continuo com essa minha maldita mania de querer ser feliz. Já entendi, vida, não precisa mais lançar isso na minha cara. Eu encontrei alguém, uma pessoa que parecia diferente, num fim de semana perdido entre tantos outros, recentemente. Projetei ali o que eu sonhava. Os braços na minha cintura já não tão delineada. As pequenas mordidas no lábio inferior. O brilho nos olhos e o cheiro na roupa. Projetei o que eu quero que seja. Quero alguém que seja meu, alguém de quem eu seja. Casos de uma noite me exauriram, cansei de passar rápido, quero permanecer.
Talvez eu ainda tenha que desbravar uma selva lotada de tabus idiotas. Beber até não lembrar meu nome, cair com meus lábios em lábios de uns quaisquer. Um tempo fora. E nenhum traço de amor. Nenhum amor. Sacudir a cabeça e recolocar juízo dentro dela. Lembrar que amor eterno, ou não, e felicidade plena, são puras ilusões de filminhos hollywoodianos. Não é nada real. Afinal, eles só querem as vadias. As ébrias perdidas no mundo, com o andar trançado, sonso. Aquelas com o vestido mostrando o hímen, e o decote no umbigo. O cabelo batendo na cintura, a franja nos olhos, escondidos por debaixo dela, traçados de preto. Olhando, malandros, para o mais novo alvo escolhido. É uma fórmula infalível. Ninguém escapa.
A saudade aperta forte no peito, e na alma, quando vem na mente aquele tempo... Não tão distante assim. Mas as coisas eram conseguidas de tênis, jeans e camisetas. Sem essa pré-determinação do que é ou não sexy. Havia sucesso. Um sucesso grande. A mancha da história assombra meus dedos. São marcas permanentes de culpa e punição. Foram infinitas noites marotas trocadas por um sofá e um filme romântico idiota, cercada de amigos lights, calmos. Mas a ladeira da vida deixada não é suave. E eu rolei por ela. Rolei como se tivesse caído dum skate. Caí feio. Rolei inteira. E quando cheguei ao chão, do outro lado, tava machucada... Bem machucada. Esfolada. Quebrada. Moída. Partida. Partida em tantos pedaços que não era mais considerável subir sorrindo, ou ao menos subir novamente. Hora de abaixar a cabeça e assumir, para todos, a verdade desgastada.
Existe a destinação à queda, marcada no meu corpo claro, tristemente profundo. Meio pi e eu estou ali. De novo. Meia circunferência. 180º graus. O bastante para que eu beije o chão outra vez. O vício na dor é uma coisa que me preocupa. Assim como as minhas lágrimas salgadas rasgando caminho por entre meu rosto. De forma ácida e cortante, marcando seu trajeto desde meu olho até meu queixo, quando caem para o vale da morte do vazio tão vazio quanto o resto do mundo.
Houveram muitas noites em que eu chorei. Afinal, a cara afundada no travesseiro deve ser para alguma coisa.. Afundava ali e deixava tudo vazar, com a esperança de que algum dia as coisas se acertem da forma correta, dentro dos conformes. Mas você me veio na cabeça na última noite. Você e o teu sorriso lateralizado, bobo, procurando pelo meu.
As estrelas tem me contado que eu vou achar um amor, uma coisa nova dessa vez. E que ele vai surgir de dentro das pessoas que eu conheço. Tudo me leva até você. É claro. Mas sou virginiana, carente por natureza, buscadora da menor e mais verdadeira atenção, não engulo a história de uma noite e nunca mais. Eu vi nós dois acontecendo. Eu senti teus braços, teus lábios, antes de você surgir. Eu sempre soube o que aconteceria naquela noite tão distante. Sabia o que aconteceria, forcei o destino a te trazer aqui. Mandei nele, feito menina mimada. E ele me trouxe você.
Eu larguei tudo naquela noite, feito espumas ao vento. Precipitei-me, é verdade. Mas você era completamente corpo e alma comigo naquela noite, eu não enxerguei metade tua perambulando pelo salão. Não sou da filosofia de "coisa de momento" quando o momento inclui você. Assumamos, você me dá "raiva passageira" mas "o amor deixa marcas que não dá para apagar...". E você marcou fundo. E agora, esse céu de Outubro já não é tão mais estrelado quanto era naquele mês, naquela noite. Nunca vai ser. Tinham duas estrelas, naquela noite, de olho em mim. Essas duas estrelas, meu amor, eram seus olhos.
E agora, elas fogem de mim feito diabo foge da cruz. Mas eu ainda capturo esses dois brilhos fugitivos. Pego e coloco dentro de um vidro. Só pra ter um pouco de ti. Porque, de mim, amor, você já teve tudo. E ainda tem.