segunda-feira, 14 de julho de 2014

Bilhete

Bilhete.
Vem cá. Deita aqui comigo, nesse sofá vermelho, nessa sala amarela... deita aqui comigo e vamos ficar escutando "I don't wanna miss a thing", "The A team", "I'm Yours", "Two is better than one" e tantas outras músicas que a gente roubou só pra nós dois.
Deita aqui e deixa eu fazer cafuné nesse seu cabelo, que você reclama que tá gigante. Mas eu gosto. Dá pra enroscar os dedos. E nós dois sabemos o quanto isso é útil.
Vem cá e dá um beijo na minha testa, faz com que eu sinta que nada nos afeta quando estamos juntos.
Chega mais perto de mim para que eu possa deitar em você. E ficar ali, quietinha, ouvindo seu coração batendo forte contra o peito.
Fala qualquer coisa boba para que eu sorria enquanto te olho. E vejo teus olhos castanhos se iluminando e ficando daquele jeito que me deixa sem saber até meu nome. E vendo só você.
Olha pra mim e diz que eu sou especial, que com a gente tudo é diferente, é único. Me deixa sem fala porque eu concordo com tudo. E sinto meu coração sorrindo cada vez que te vejo. E nosso beijo é o encaixe perfeito, era exatamente o que faltava nas nossas vidas.
Vamos, me conte de tudo o que sentir vontade. Me diz sobre seus medos, seus sonhos, seus traumas.. Me conta as coisas com o brilho nos olhos. E com o sorriso aberto. Aquele sorriso que eu tanto gosto de encher de beijo. Aquele sorriso que é a coisa mais linda do mundo.
Encaixa sua mão na minha cintura enquanto eu encaixo a minha na tua nuca. Me puxa para mais perto, e deixa nossas respirações cruzarem, ofegantes, enquanto eu fixo o fundo do teu olhar e tento eternizar o momento inquebrável, impenetrável, no qual nos encontramos.
Me lembra que eu deixo (ainda mais) a razão de lado cada vez que você me olha.
Desliza suas mãos quentes pelo meu corpo, constantemente gelado, e reinvindica tudo aquilo que já é teu.
Me chama de "amor" e me faz sorrir de lado.
Eu sou tua. Pro que der e vier.
Da mesma forma que você é meu. Em cada polegada da tua pele, você é meu. Em cada terminação nervosa minha, eu sou tua.
A gente se completa, se equilibra. Se encaixa com maestria, como ninguém jamais encaixou na gente.
Não me deixa esquecer que você confia em mim, acredita que eu consigo. Ainda que eu não confie, ainda que eu não acredite. Mas não quero mais falhar. Não quero te desapontar. Quero te dar orgulho. Te encher de gosto por estar ao meu lado.
Me deixa te perguntar, mil vezes, o motivo do teu sorriso. Só pra ouvir, mil e uma, que você sorri por estar feliz em me ver. Por estar comigo. Me deixa sem resposta outra vez.
Eu sou louca por você. E nem todas as palavras do mundo seriam capazes de traduzir esse sentimento prematuro, mas crescente, que batuca forte dentro do meu peito..
Mas você entende.. Você me entende. Já me decifra, aos poucos. Essa minha loucura em relação à você, reflete sua loucura em relação à mim.
Conta pra mim sobre Vinícius de Moraes. Me explica porque você não gosta da poesia dele, apesar de o admirar demais.
Canta pra mim. Canta funk, canta MPB, canta Rock... mas canta. Eu adoro o timbre da sua voz. Me acalma.
Me explica futebol. Ri comigo quando eu digo que a Argentina não mereceu ganhar a Copa no Maracanã, e que a Alemanha quem deveria ter levado, sim.
Me beija quando eu falo demais.
Me abraça quando fraquejo.
Entende minha timidez, e minha mania de achar que sou fera indomável. Ainda que esteja mais para um gatinho assustado.
Se preocupa achando que eu perdi a hora. E me liga tentando me acordar.
Acorda sorrindo, todo amassado, todo lindo, quando eu me preocupo com seu horário e te ligo. Te salvando 20 minutos antes do tempo máximo. 
Me surpreende a cada dia. Faça com que eu me permita me apaixonar por você. Cada vez mais.
Me prende nesse ciclo, e não me deixa ir embora.
A vida ganhou cor quando te tive pela primeira vez.
E eu não quero a monocromia de volta.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

carta aberta à um amor idealizado

Eu não imaginei o rumo que essa história tomaria, quando tudo isso começou... Naquela tarde ensolarada, numa praia tão distante de agora.  Você chegou, sorriu pra mim. Eu vi o mundo se colorindo apenas naquele pequeno pedaço de mar, e desvanecer em tudo o que nos cercava.
O teu sorriso foi a coisa mais linda que eu vi naquelas férias. Teu abraço era o lugar mais confortável do mundo. E aqueles poucos dias foram o suficiente pra eu não ser capaz de te tirar da mente, até hoje, seis meses depois.
Cada vez que eu penso estar afastada... você ressurge com toda a sua magnitude, como se sentisse a maneira que eu fujo das suas amarras. Mas você insiste em querer me levar de volta, enquanto eu resisto... Tentando te poupar de todo o problema que isso vai te trazer. É tão difícil entender que, cada vez que você se aproxima... quem se machuca sou eu?!
Tento, em vão, entender a sua mente... tudo assume o comportamento de um furacão quando se trata de você. Por que você não a deixa ir?! Assuma o controle, e sinta-se livre desse fardo pesado sobre os teus ombros... Você se mantém perto de quem não representa riscos pra você....
Faça por valer. E resolva nossas pendências, antes de eu te deixar ir.
Você me diz sobre suas saudades..Diz que tudo ficará melhor quando nós nos encontrarmos... Melhor pra quem? Pra mim, pra você, ou pra ela?!
Me sinto encurralada dentro desse teu labirinto doentio... e a culpa é sua se eu não acredito no que me diz.
Você não se liberta dessa situação, não me liberta de você... E nós dois continuamos a andar em círculos, continuamos a dar com a cara na porta fechada.. Isso não te cansa? É exaustivo... Eu venho te esperando desde a estação do sol, e nada foi mudado. Tuas promessas são palavras frágeis, sem significado algum agora... Já gastei demasiado tempo presa ao teu jogo doentio, e nada disso me traz paz.
Eu não posso mais continuar te esperando, algo precisa ser feito.... E eu vou ter que ser forte dessa vez, forte o suficiente pra acabar com o teu jogo infindável, baseado em sabe-se lá o que.... Eu preciso da força que andava me faltando pra te deixar ir.
Te deixar jogar com ela, com quem você consiga lidar diretamente. Nós dois nunca estivemos no mesmo patamar.. não ao mesmo tempo. Não desde aquela noite, e apenas lá.

Before I let you go - Colbie Caillat