terça-feira, 23 de setembro de 2014

Vem rir comigo

Eu adoro o som da tua risada, sabia? Principalmente aquela risada grande que você dá, e me faz inclinar a cabeça e me perguntar onde diabos você viu tanta graça. E logo eu, que não sou de sair dando gargalhadas por aí, me vejo perdendo o fôlego do seu lado. De tanto rir, sorrir, respirar, cantar.
Eu ri demais contigo aquele dia, em que você cismou de me ensinar umas posições de MMA. E nós dois ficávamos rolando na cama, enquanto eu te ouvia dizer aqueles nomes ridículos como "espalhar o frango".
Ri do nosso jogo de músicas, onde "limão" virou ''balão" e você transformou "meu limão, meu limoeiro" em "meu balão, meu baloeiro''. E eu não conseguia parar de rir com as músicas ridículas que a gente inventava, e nem de você gargalhando da minha cara porque não conhece Forfun, e acha que as músicas que eu cantava com as palavras que você pedia, eram todas inventadas na hora.
Ri um pouco menos quando você disse que, só de birra, ia embora pro outro lado do mundo naquele mesmo instante, que pegaria um avião e ia pra longe de mim. Mas ainda assim, consegui rir mais dessa vez, do que de todas as outras vezes em que esse assunto surgiu.
Você dizendo que ia me sequestrar por um ano, e me levar junto com você pro outro lado do mundo, pra a gente não ficar separado.. Bom, diminui o aperto terrível dentro do meu peito. E eu ri por causa disso, também.
A maneira boba como a gente para na frente de um espelho qualquer, você arruma o cabelo, e nós dois ficamos fazendo careta. Ou quando eu brinco que sou sim mais forte que você, e que seu bíceps, tríceps, e infiniceps não são de verdade. E eu fico na ponta do pé: "mô, olha pra mim", e você faz tipinho e não me olha. E eu me estico mais pra alcançar a sua boca tão mais alta que a minha e conseguir te dar um beijo que vai fazer com que me você me abrace e ria comigo.
Me faz tão feliz.
A gente discutindo, ainda que implicitamente, sobre o futuro, dizendo que ainda não é hora, mas um dia será, de termos nossos filhos. Assim, "a linhagem não será interrompida e nem desperdiçada".
Eu fico tão feliz do seu lado... tão feliz. Que tenho até medo de isso tudo ser mentira. De nada disso ser tão real quanto eu penso que é. Medo de que meu coração não aguente lidar com tanta alegria e acabe explodindo, deixando pedaços meus e seus por todos os lados, em todos os nossos cantos. Medo de que você enjoe, canse de mim e resolva ir achar alguém menos complicada por aí...
Mas você sempre me diz pra aproveitar agora. Pra eu não me preocupar com o futuro, e nem com o que pode vir a acontecer daqui 10 meses.. E eu quero te bater quando diz que dá pra eu enjoar de você até lá. Porque isso é absurdo, eu não enjoo nunca de você.
Como eu iria enjoar de rir alto da sua cara de quem se atrapalhou todo pra me explicar o conceito de "rápida"? E de nós dois dançando na cozinha? Ou do seu bico quando eu tiro uma da sua cara?
Não dá pra ficar sem meu riso fácil quando eu olho pra você falando com meus amigos e minha família.
Ou nas, várias, vezes em que a gente fica olhando pro teto e falando besteiras. Quando você fala espanhol ou sueco pra mim, só porque eu não entendo nada. E você ri da birra que eu faço, e eu rio do som que a sua risada tem, e da vibração gostosa que acontece no seu peito quando você gargalha.
Eu perco a vontade de rir quando imagino a vida sem a sua cara de surpresa quando descobrimos mais um sabor fantástico de milk-shake, nutrindo a nossa vida de casal gordo. Ops, guloso.
A vez em que fugimos do cinema porque o filme não estava tão interessante assim. E todas as vezes em que você diz que não, eu não vou ficar sabendo da história da sua cicatriz em forma de X. Onde vai parar meu riso se não tiver você pra me beijar a testa, dizer a nossa história é totalmente doida?
Eu não conseguia ficar séria naquela vez em que estávamos discutindo quem é mais apaixonado, entre nós dois. Você, ida e volta até a Lua, 15 vezes. Eu, ida e volta até o Sol, 20 vezes. Você mudou a Lua, e disse que não era a da nossa galáxia. Mas ainda eram 15 vezes. Eu não acreditei em você, e resolvi que te amo daqui até as rachaduras do Universo, 20 vezes. E você achou ruim porque eu mudei meu ponto de referência cósmico. Mas eu não liguei. Porque tinha me perdido na maneira em que seu rosto fica quando você ri pra mim.
Promete que vai sempre rir comigo?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Rapaz, quando acabar Julho você vai precisar de um saco de paciência e uma tonelada de amor pra aguentar o tranco de Agosto. Ela odeia esse mês. Fica manhosa, faz biquinho por qualquer besteira, e tudo o que acontece é motivo pra ela ir te pedir colo, com aqueles olhos castanhos arregalados, parecendo o Gatinho do Shrek...
Você vai ter que entender que não é por mal que ela assume essa postura de mulher, de menina, sensível. É que ela odeia mesmo Agosto, e cisma que o mês também a odeia.
Deixa ela falar. Deixa ela dizer que em Agosto a vida dela vira de ponta cabeça, que ela entra em crise. Que tudo dá errado. Que só em Agosto que você foi roubado dela por mais tempo do que ela consegue aguentar. E deixa ela fazer biquinho e baixar o cenho, ficando com a cara de dó mais linda do mundo.
Deixa ela não querer sair de casa. Ela vai negar sair com os amigos quantas vezes for preciso. No fundo, ela só quer mesmo é ficar deitada contigo, o dia todo no sofá, na cama, vendo algum filme ou encenando uma cena qualquer. Deixa ela ficar ali com a cabeça deitada no seu peito, quietinha. É que em Agosto ela se tranca dentro dela mesma, e te deixa ver só um pouquinho. E só deixa ver o que ela quer que você veja.
Mas faça ela se abrir, não deixe que essa menina se afogue dentro dela mesma, porque ela já se afogou demais. Deixa ela tremer de frio, e insistir que é de nervoso, mesmo você sabendo que não é. Porque você conhece os tremeliques dela bem demais já, e sabe a diferença entre eles. Ri baixinho quando ela esticar a mão direita pra te mostrar que tá SIM tremendo, não lembrando que você sabe que a mão direita dela treme sempre.
Leva um doce qualquer pra ela, você vai poder ver aquela expressão de criança de novo. Com a boca aberta e os olhos arregalados, como se tivesse congelado numa risada.
Se for viajar, traz uma coisinha qualquer, só pra mostrar que lembrou dela. Ainda que você tenha dito todos os dias que ela não saia da sua cabeça. Traz uma coisa boba, uma lembrancinha mesmo, pra ela colocar na mesa, junto com a foto de vocês que ela tem revelada, e passar o tempo todo perto. Ela se sente mais perto de você assim. É Agosto, ela faz ainda menos sentido.
Entende que ela vai sentir vontade de brigar, de gritar. E que ela vai revirar muito os olhos, por nada, pra você. Mas, vai, respira fundo e puxa essa menina pra um abraço apertado, rapaz. Respira no pescoço dela e sente fundo o perfume que ela tá usando no dia. Ela muda muito de perfume nesse mês. Não deixa ela querer fugir dos seus braços, mesmo que ela já esteja lá há uns bons cinco minutos. Prende ela ali, deixa ela entender o quanto você precisa daquele jeitinho dela na sua vida.
Escuta com atenção a risada sem som que ela dá. E com mais atenção ainda aquela gargalhada rara, que tem barulho. Ela só ri desse jeito quando tá realmente se divertindo.
Entende todas as maniazinhas dela desse mês. Entende cada uma delas, e ame todas. Ame o conjunto todo. Mesmo com aquelas coisas chatas e irritantes que ela encasca de ser em Agosto. Aguenta tudo isso e muito mais.  Porque assim que acabar Agosto, ela aparece com um fôlego todo novo. Ela abraça Setembro com a alma inteira. E se Agosto é uma tragédia grega na vida dela, Setembro é a peça mais linda que já foi escrita. Aproveita a sorte que tem, e aprecia bem o espetáculo. Não despreza não.
Porque esse espetáculo é só teu, e de mais ninguém.