Acendi as luzes e te encontrei ali, escondido no meio de duas cobertas. Só os pés para fora, e a cabeça escondida sob uma delas. Mesmo sem ver, eu sabia qual era o tamanho do seu sorriso. Aquele teu sorriso travesso, de quem apronta mas gosta do que faz.
Cheguei pertinho, na ponta dos pés, toquei de leve seu tronco e te fiz cócegas, delicadamente. Você riu. Eu sorri com o som da sua risada e descansei minhas mãos nas suas costas, e você jogou longe teu esconderijo de tecido, seus olhos buscaram os meus, meu sorriso se ampliou, assim, involuntariamente. Você se ajeitou, mas continuou deitado, buscou minha mão esquerda e ficou brincando com ela. Encaixando e desencaixando teus dedos finos nos meus, guardando minha mão dentro da tua... Ficou assim, por quem sabe uma eternidade, ou talvez poucos instantes. Brincando com a minha mão no meio do silêncio feito por nós dois. O tempo para quando você está por perto, perco toda a minha noção fraca do tic taquear do relógio. De repente, você começou a falar. Dizia coisas doces, e olhava dentro dos meus olhos. ''Eu gosto de você, eu te amo sabe?'' ''Gosto de ficar assim com você, sem fazer nada, só assim, quietos...''. Eu sorria, sorria sem saber o que falar. Queria te dizer que sentia o mesmo, que adorava ficar assim com você. Mas a voz não saia, e eu continuava te sorrindo. Depois de um tempo assim, você foi para a frente, e me jogou no tapete. Foi a minha vez de receber as cócegas a pouco feitas em você. Eu tentava esconder a vontade de rir, mas não há necessidades de máscaras com você. Eu não preciso de disfarces. Eu não tenho vontade de brigar, com você tudo o que eu quero é paz. Quero que você me encontre ao longo de um corredor qualquer, como quem não quer nada, que coloque meus cabelos para trás, levante meu rosto e me beije. Quero encontrar seus olhos por entre o vão de uma porta meio aberta, e sorrir com seu sorriso bobo. Quero seus braços entorno dos meus ombros enquanto o mundo me levanta ou me joga no chão.
Eu sinto que, cada vez que você está por perto, eu só preciso ser eu mesma.
Você não achou ruim, e continuava falando, sem se importar com meus silêncio. Acho que meus olhos te diziam tudo, diziam tudo o que eu não conseguia colocar em palavras. Mas você entendia, eu sentia isso dentro da minha alma. Você sabe. Você entende, percebe.
Talvez seja essa a chave de tudo. Meu silêncio nem tão silencioso assim.
Se você entende, você aceita. E isso basta pra mim.
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