domingo, 22 de setembro de 2013

E um dia você ainda vai acordar e sentir falta dos meus comentários desnecessários, em horas desnecessárias. Vai sentir saudades dos meus conhecimentos que você não queria saber, nunca. E vivia implicando. Um dia você vai acordar e olhar pro lado, e não vai me ver ali. Sorrindo com um: "bom dia, babaca" e te mordendo a bochecha, depois de fingir que eu iria te beijar. Só porque eu sei que você se irrita quando eu erro o caminho da tua boca, e vou pro acostamento do seu rosto. 
E voce vai sentir falta de enroscar os dedos nos meus cabelos, e reclamar que eles estão cheios de nós. Sentir falta de quando eu ficava dando tapinhas na sua mão para você parar de tentar desembaraçar, porque eu ia ficar com o cabelo todo armado. E eu não queria que você me visse daquele jeito. Mas você via. Você já tinha me visto dos piores jeitos. E não ia embora nunca. 
Vai morrer de saudades de quando você falava que eu era a pessoa mais preguiçosa do mundo, porque sempre tive preguiça de tudo. Menos de levantar e ir te dar um beijo do outro lado da sala. 
Vai te dar saudades de quando eu ficava brava com você porque você falava que ia ficar com aquela lá, que a outra estava dando muito em cima de você... Só pra me ver corar e ficar com ciúmes e depois vir correndo me abraçar e me lembrar que você não me trocaria. 
Vai acordar um dia pra viver sua vida e não vai me ouvir falando como gatos são os animais mais simpáticos do mundo. Ou como eu não vivo sem ter um livrinho sequer na bolsa. 
Mas essa saudade não vai significar que a gente já não existe mais. A gente vai existir. Eu sendo juíza ambiental. Você, meu "marido" bonitão e super engenheiro civil. E as aspas porque você nunca quis casar na igreja, mas eu ainda vou conseguir. Nossos três filhos. Dois meninos, só porque você quis porque quis dois meninos. "Menina dá muito trabalho". E uma menina. Porque eu quis porque quis uma menina. Nossa casa na praia, e você ensinando as crianças a surfar enquanto eu leio um livro qualquer na areia, olhando e esperando a hora que você vai sair do mar e me sujar. Só pra me ver reclamar, me pegar no colo, e me jogar na areia, pra me sujar inteira. 
E eu vou brigar com você. Porque você me acha fresca demais. Ou fala que acha, porque no fundo, no fundo sabe que eu não sou e que é pura implicância sua. E você vai dizer: "não devia ter tentado te namorar.." Só pra me irritar e eu sair brava. E você vir correndo atras de mim. Como você sempre faz. Como eu sempre faço. A gente é pra sempre porque é desde sempre. E você vai vir me pedir desculpas, porque você sabe que eu sou meio irritada por natureza, e que eu ainda não te perdoei por não ter casado na igreja, como eu sempre quis. Ter aqueles casamentos enormes. Você nunca lembra. Mas sei qual será meu vestido desde os meus 17 anos. E qual musica, desde os 14. 
E você vai ficar lá, me mimando. Porque só você entende que eu fico brava com um montão de brincadeirinhas seguidas... Até as crianças entrarem gritando que estão com fome. E eu sair atrás delas. E você me puxar pra mais um "melhor beijo da minha vida". Como você sempre fez, sempre faz. É que com a gente, você sabe e eu também, não é importante mostrar pro mundo que a gente é junto, todo mundo sabe.
Pra gente, basta só nós dois. E uma guerra imensa de implicâncias. Mas eu te perdôo por quase não ser meu quando tem muita gente se você não perder essa mania boba e deliciosa de me dar esses beijos-surpresa, como um lembrete pro que me espera mais tarde. 
E eu vou querer te bater durante o jantar. Porque você ainda cisma em ensinar nossos filhos a arrotar. Só porque você sabe que eu odeio e acho nojento. E você vai rir, e tentar convencer nossa filha a fazer essas suas nojeiras também. E ela vai. Mas depois vai voltar com cara de nojo porque: "mamãe, não da pra brincar com o papai. Ele sabe demais!" E eu vou rir porque é verdade. Você sabe bem demais ser nojento... E você vai continuar rindo. E depois correr pro vídeo-game com as crianças. Só pra eu ir até você e te convencer a lavar a louça do jantar, porque você anda merecendo uma pia inteirinha de louça, pra parar de implicar comigo. E você vai. E vai deixar tudo bonitinho pra mim. Só porque você me ama e me quer bem demais. Mesmo não falando. A gente sabe que ama. Eu sei que você me ama. E você sabe que eu te amo. Sempre. 
E isso tudo vai te fazer lembrar da saudade que você andava sentindo. 
E já não vai sentir tantas saudades. Afinal, você sabe que meus comentários não fugiram. Eles estão ali. Só que eu aceitei que você não entende, e faço as vezes, só pra te irritar. 
Vai parar de te dar saudades das minhas mordidas irritadiças, porque agora você entende isso como um: "queria te dar um beijo. Mas não vou. Passe vontade. Mas ohh, te dou uma mordida." E começou a me morder também. E eu continuo te chamando de babaca. Porque a gente é chato demais pra ter algum apelido carinhoso. Nosso limite foi o "mor", e nenhum dos dois reclama. 
Nao vai mais ter saudades dos meus cabelos enroscando meus dedos. Eles ainda vão enroscar. Só vai sentir falta da quantidade de cachos, que vai estar bem menor. Cansa cuidar de cabelo assim, sabia? E você fica mais feliz. E sempre fala que eu fico ainda mais bonita. 
Vai perder a saudade de quando me falava da minha preguiça sem fim. Porque você já vai ter perdido a paciência comigo, tentando me explicar como ficar em pé na prancha. Dizendo que tem que levantar de uma vez só, senão cai mesmo. E eu já vou ter ficado triste com você, porque você não precisava ter sido tão babaca. E disso eu não vou ter saudades nunca, porque eu não gosto de você chato. 
Nunca mais vai ter saudades de me provocar e me deixar com ciúmes. Porque você não para nunca com essa sua mania besta. E agora eu aprendi a te deixar com ciúmes também. Porque você ainda odeia aquele imbecil que fazia hipismo. E eu ainda falo que vou com ele, porque agora ele quer. E você fica bravo. Falando pra eu ir, de bico no canto. Só pra eu ir lá e te lembrar que eu não te troco por nada. 
Sua saudades de ouvir de gatos e de livros vai morrer também. Porque eu consegui te convencer a ter um gato. E um cachorro. Assim, a gente fica feliz. E você ainda vai falar que meu gato é chato, igual você fazia quando a gente era adolescente. Mas no fundo, você gosta de gato e só fala pra me irritar. 
E eu já vou ter desistido de te fazer ler mais do que você precisa. Apesar de vez ou outra te ver olhando aquela minha biblioteca gigante que eu te fiz montar pra mim. E onde eu vivo enfiada. Eu, e meu gato. 
Mesmo ouvindo você reclamar que eu gosto mais dos livros do que de você. Mas tudo bem. Porque você sabe que sem livros eu não vivo. Mas sem você eu não sobrevivo. 
Que tomem todos os meus livros, mas não tomem você de mim. 

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