sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Eu me retiro, eu me descanso de tudo isso. A vida tá me cansando, entende? O meu mundo detalhadamente criado e moldado com as gotas finas e vermelhas do meu sangue, venoso e arterial trabalhando juntos, caindo na minha cabeça. Soterrando meus pensamentos, deixando-os cada vez mais aleatórios, cada vez mais insanos. Minha maior vontade insana nesse momento perdido no tempo e no espaço, dia 21 de Janeiro de 2012 em plena madruga, 02:53 de uma noite com um vento frio e regada a insônia chata e medo dos sonhos, é voltar ao tempo em que não haviam tantas complicações ingratas na minha vida simplória. Sentimentos simples, vontades simples, situações simples, pessoas simples. Éramos dois. Três, no máximo. Nada de sujeitos compostos, ocultos ou indefinidos. Não tínhamos duvidas definitivas, éramos completos apenas pela presença do ser parado ao nosso lado. Há a necessidade do toque, do cheiro, do gosto. Precisamos sentir, saber que não somos os únicos ali, aqui, acolá.
Ando sentindo falta de alguém para segurar minha mão enquanto o mundo me aplica outra dose da injeção dolorosa dele. Falta de alguém para me sussurrar no escuro que tudo ficará bem, falta de um abraço silencioso. Da saudades da sensação de que eu não sou a única sentindo a dor que corta fundo meu peito machucado. Saudades de ao menos ter a ilusão de que eu não estou sozinha nessa batalha difícil de ser vencida. Não sou uma em um milhão, sou uma contra um milhão.
Me dá saudades até mesmo do meu antigo sorriso, tão pleno, tão plano. Não era algo assim, tão forçado. Forçado de tal forma que se torna uma carranca, por inúmeras vezes. Uma carranca de desgosto. Não me conheço mais, não existe mais a naturalidade de caminhar por dentre meus corredores infinitos de pensamentos sem ao mesmo tatear para saber onde estou. Agora, preciso tatear, preciso de luzes, mapas, bússolas... Tudo que me indique a direção. Estou perdida dentro do meu próprio eu, presa dentro de meu próprio corpo. Tic tac, tic tac, tic tac. O incontável tic tac da bomba relógio alojada debaixo do meu coração é sufocante. A explosão é um mistério. Não sei quando, onde, com quem. Mortos e feridos? Ahh querido, queria eu saber se haverão danos sérios. Queria descobrir qual será meu dano nisso tudo. Pouco importa agora. Tempo ao tempo, comer pelas beiradas do prato de sopa quente. Minha avó dizia que o meio queimava, temos que chegar lá com cuidado, carinho, senão nos machucamos.
Sei que preciso de novas coisas na minha vida. Novas presenças, novas falas, novos cheiros. Mas algo que fique, por favor. Estou despedaçada de coisas que passam rápido demais por cima de mim. Arrancando com a tampa dos dedos dos pés apressados, a tampa do meu coração. Essa correria e falta de interesse tão presente no nosso cotidiano, não deixa as pessoas nem ao mesmo permanecerem mais de uma noite. E depois dessa diversão, dessa felicidade noturna... Bem, resta apenas a mim. Manter o tom de voz calmo, o sorriso desinteressado, o cabelo arrumado, as mãos comportadas, e o coração dilacerado. Fugir do olhar tanto almejado, e lembrar, a cada instante lembrar, de que aquilo não passou de um momento. Um momento estagnado no espaço-tempo da vida. Para sempre eternizado ali, estático. O passado ninguém te tira, o presente você faz, e o futuro... ahh, futuros. Tão cheios de ''e se...?'', tão cheios de incertezas tão certas quanto profundidade de buracos negros localizados na Via Láctea. Tão certo quanto 2+2=7.
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