segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Sei lá…. Me deu saudades do seu sorriso malandro vindo de encontro ao meu. Eu escrevo quanto me dá saudades sabia? Tenho tido essas saudades desde nosso último beijo, tem mais de duas semanas, querido. Mas não me dei ao luxo de tirar esse sentimento todo de dentro do meu peito. Até essa madrugada. Nessa madrugada eu lembrei. Lembrei nossos lábios tão vermelhos quanto sangue. E a Lua ali, olhando pra gente com aquela cara gorda que ela tem. Ah.. a Lua. O que seria das historias de amor sem ela? Tão companheira das conversas intermináveis em noites longas, preenchidas de corações partidos. Ahh se aquele canto escuro falasse, o que seria de nós? Não seria nada. A distância insiste em se colocar entre as pessoas importantes em minha vida e a trouxa que martela as teclas pretas do notebook aqui. Não seria nada, não somos nada. Talvez, só talvez, a melhor de todas as soluções insanas é me agarrar a essas lembranças. Duas noites e uma manhã. Lembra como estava quente naquele nosso último dia? Naquele sábado? Andamos lado a lado para nosso beco, sem nos tocar até sumirmos da vista cruel das pessoas. Assim que estávamos longe o suficiente, você encaixou seus dedos nos meus. Assim, sem nenhuma palavra. Aquilo mexeu comigo. Ninguém nunca andou de mãos dadas comigo tão tranquilamente. Você não tinha vergonha, nem medo. E durante as madrugadas, desfilava assim comigo pelo hotel, passando o polegar calmamente sobre as costas da minha mão. Não precisávamos de palavras ali, não precisávamos de nada. Um olhar, um sorriso, e eu estava nos teus braços outra vez. E foi assim naquela manhã, você me conduziu até aquele canto afastado, me encostou na parede como vinha fazendo… Passou os dedos pela minha bochecha direita, olhou nos meus olhos, e só então me beijou. Você partia o beijo e encostava sua testa na minha, olhando fundo nos meus olhos. Eu sorria, e recebia seu sorriso de volta. Era um sorriso gostoso de ser, o mesmo sorriso que eu tenho agora na minha mente… Sei lá, é diferente lembrar disso. Não é como se eu desse um rim para te ter ao meu lado, mas não é como se não desse nada… Tinha algo na forma como você me tocava naquela manhã de início de Janeiro do suposto último ano do mundo.. 2012. O ano em que tudo pode mudar. E mudou para mim. Pela primeira vez, me tocaram como se tivessem medo de me quebrar ao mais leve toque. Como se realmente se importasse comigo. Mudou algo aqui dentro do meu peito todo ferrado, cheio de buracos e calabouços. Não, não é como se você estivesse se tornando meu novo amor, meu novo vício. Mas você me mostrou uma coisa fantástica, e que há tempos eu não sabia mais como era sentir isso. Por meio dos seus toques frágeis, dos seus beijos mesclados de doçura e vontade, você me mostrou que ainda existe a esperança. Você me devolveu o que eu jurava que havia perdido há meses, anos. Tem uma fagulha nova no espaço junto do meu coração. E eu te agradeço todos os instantes por isso. Porque, se o pior erro de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la, a maior redenção é mostrar que ainda existe esperança.
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