Você nunca
teve coragem. Tudo em você sussurra
sobre coragem. Teu jeito é corajoso. Mas teu corpo é medroso, assustado. Você não
teve coragem em nenhuma das vezes em que eu fui valente por acreditar em você,
acreditar que, algum dia, você ia largar da tua covardia e virar homem ao menos
uma vez na vida. Mas não foi. Você não se tornou o homem que devia, quando
poderia. E agora, nunca será. Teu jeito já não tem a mesma eficiência em me conter,
me prender junto de você. Você não teve peito o suficiente para dizer sim
para a mais remota convivência comigo. Teve
de manter sua pose de inabalável, mas que despenca com um afago na nuca. Eu já fui
muito pisada pela tua covardia e vontade de manter a pose. Agora me sinto no
direito e dever de te julgar. Você já não
é mais útil, nem mesmo agradável na minha vida. Eu nunca fui, nem serei a
escolhida por você. Eu não te favoreço. Você nunca será aquele que vai me
encontrar jogada num sofá, lendo um livro qualquer. Eu nunca vou ser lida por
você. Eu sou apenas aquela que você
deseja jogar debaixo da terra, mesmo enquanto respira, aquela que sumiu da sua
vida sendo presente. Eu sou teu pesadelo mais fantástico. A fera que causou a
ferida que vai doer fundo na sua alma. No seu coração. E o tempo vai passar. Mas,
por mais tardio que seja, você vai se manter em silencio. Quieto. Tentando entender
qual foi o erro cometido para que as coisas tenham tomado o rumo que
tomaram. Você vai querer se esconder do
mundo. Vai se trancar dentro do teu mundo solitário. E nesse mundo, você nunca
vai conhecer minha mania comer apenas usando talheres da mesma cor. De preferir
panos de prato, ao invés de guardanapos, para limpar as mãos. Você nunca teve
coragem. E no meio desse seu medo, acha que todos te entendem. Menos você
mesmo. Eu poderia ter te compreendido. Na
realidade, eu te compreendi sem você me pedir, eu te compreendi escondida. Quieta,
no silencio da vida que você comeu feito leão caçando uma gazela. Feroz. Eu compreendi
essa tua falta de coragem de encarar o mundo. Você não quer mudar, prefere
fugir. Corre gazela, corre. Corre logo. Corre rápido. Antes que o leão te
pegue. Se é do teu interesse, gazela, eu vou te dar uma dica bem valiosa. Quando
a sua dor surgir, pensa que foi essa dor que eu senti. Assim, sua dor vai ter
sentido. Eu cansei de ouvir o teu
discurso de quem confunde intensidade com tempo. Não faz sentido. Mas também não
faz sentido eu confundir afeto com amor.
Mas assim como eu tenho os meus, você tem os seus motivos para confundir
isso tudo. Você não deixou claro que não
tinha escolha. Mas também não deixou claro que tinha. A verdade é que você
nunca teve escolha quando se tratava de mim. Eu não me sinto mais a vitima. Eu parei
de ter dó de mim por estar sem você. O injustiçado nessa história é você. Você quem
me perdeu. Eu te tive. Ainda que num lugar imaginário, mas eu te tive para mim.
Sei como é a sensação, e a dor que isso tudo causa. Mas você nunca me teve. Nunca
vai me ter. Não vai saber nunca como é me ter na sua vida, no seu mundo. Você
recebeu tratamento diferente da vida. Viveu um pouco, e foi dormir. Engoliu
palavras, atitudes e memórias para cair no sono. Você cedeu. Eu cedi. Eu nunca
vou carregar nada seu na minha vida. Você nunca vai poder esperar que eu
carregue nada seu. Você não vai carregar nada meu. No futuro, sua vida toda vai
esperar por algo que ficou para trás. Num momento bem distante do qual você vai
estar vivendo. Vai estar na memória,
exatamente onde seu corpo, a sua verdadeira alma vai estar: presos no passado. Você
não será capaz de voltar atrás. Você vai estar morto quando deveria estar vivendo
de verdade. Mas seu peito vai ter um buraco grande demais que você mesmo não será
capaz de compreender. Você não teve
coragem. Com o teu carinho translúcido. Sua falta de colhões para encarar a
vida. Sua incapacidade de mostrar humildade em algo. Você nunca aprendeu a esconder
o que sentia. Nem aprendeu a mostrar a verdade. Seu mistério é pobre. Assim como
você. Quando as suas noites forem mais
escuras do que o mundo, quando estiver mais frio do que você, eu não vou estar
ao seu lado. Quente e acesa. Quando seu dia estiver de um calor insuportável, e
com o sol batendo diretamente nos teus olhos fracos, eu não vou estar do seu
lado. Fria e sombria. Você nunca mexeu uma palha para me confrontar. Sempre deixou
tudo passar em branco. Sempre foi covarde. Não vai ser agora que vai ganhar
coragem de vir me bater na cara, exigindo explicações chulas e baratas. Você era
o mais belo que não tinha coragem de nada, que já existiu na minha vida. O que
mais me doeu, o que menos me doou. Eu quase fui capaz de amar sua falta de
coragem. Quase. Mas foi isso que restou de você em mim: a falta de coragem de
encarar a vida.
Maaaari já disse que vc escreve muito bem né?! Eu fiz um blog tambem mas não pra escrever pq isso eu não sei fazer kkk passa la e comenta pq eu preciso de ter mais comentários que o blog do marcelo martelo! To te seguindo e já te linkei! Beijos
ResponderExcluireu te ensino laura hahahah. cadê o link er? beijos!
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