Te preciso muito hoje, vem. Vem, vamos tomar um suco de amora no quiosque natural do shopping aqui perto. Um suco de amora, um suco de amor. Pago teu suco, e não te exijo nada além de você por perto, seu sorriso bobo e alguns comentários banais sobre a idiotice mundana que nos rodeia. Só isso baby, só isso.
Talvez você não percebe meus olhos, delicadamente trabalhados com um traço denso e preto, manchado e escorrido. Você talvez não note a minha voz levemente embargada e com um leve traço de mágoa. São coisas assim, bobas, banais, que me assombram em minhas noites mais frias, mais escuras. E no meio dessas minhas noites doloridas, você me surge, carregado pelo brilho da Lua, pelo brilho das estrelas. Você surge, bate na minha janela de madeira, e entra. Simplesmente entra, sem pedir licença, sem olhar no fundo dos meus olhos assustados pela sua presença súbita e inesperada ali, na minha frente. Antes que eu consiga colocar em meus pulmões a menor partícula de ar que saiu rodopiando dos seus, você senta ao me lado, e me olha. Me olha com aquele seu olhar indecifrável, que tanto me incomoda e que tanto adoro.... Pouquíssimos instantes depois, me vejo empoleirada no teu peito fino, começando a ser definido, seus braços estão me sustentando, me mantendo ali, presa aquele momento somente contigo, você respira no espaço formado entre meus finos fios de cabelo e meu pescoço. Fico ali, aninhada no teu abraço bom, chorando no teu pescoço cheiroso. Adormeço com essa imagem na cabeça, solitária, abandonada, do jeito que eu conheço desde que me lembro como é respirar, adormeço ali, abandonada num mundo canibalesco.
Pego no sono com a esperança estúpida de que ali, tu vai me deixar em paz, longe da paz sombria de quando estou perto do teu rosto bonito. Mas nem ali tu me deixa! No sonho, criei a ilusão de que poderia ser feliz sem medo de cair, ou de ser jogada precipício abaixo. Te alcanço sem titubear, mas assim que me aproximo... Você some, explode em uma nuvem de poeira azul royal. Meus olhos miram o chão, e eu caio. Algumas vezes, a vida começa a sorrir para mim - mesmo que no inconsciente - e você volta, me reconforta ali, no meio de tudo ou no meio do nada. Outras vezes, você me deixa ali, sozinha. Ou simplesmente me assiste morrer aos poucos de algum canto mal iluminado no horizonte que vejo de dentro dos meus sonhos.
De qualquer forma, to te precisando hoje, baby. Te precisando muito.
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