Tenho um certo trauma de relacionamentos. Virtuais, presenciais, imaginários, por cartas, sinais de fumaça ou qualquer coisa assim. Passei um ano e dez meses metida num que só me deu problema. O garoto em si já era um grande problema na minha vida. Tinha tudo, tudo, tudo, mas não queria. Fazia tudo errado. Brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos..... por um ano e dez meses fomos assim. Até que eu me enchi, e terminei tudo. Não, fácil não foi. Ah, como doeu. E dói até hoje, acho que eu não quero superar. A vida da gente faz a gente lembrar quem foi bom pra gente mesmo sendo ruim. E eu confesso que tenho um certo medo de superar, e que as vezes ainda me pego olhando nossas conversas. Hoje, me dá nostalgia, não dor. Mas ele me faz falta.
Não é segredo para ninguém que, se você tem algo contra alguma coisa, essa coisa vai te perseguir. E não foi diferente comigo-e-meu-trauma-de-relacionamentos-de-qualquer-tipo. Me surgiu um novo. Claro, sempre surge. A principal diferença entre esse ''novo'' e o meu primeiro e traumatizante amor virtual, é que nesse eu conhecia pessoalmente o nada afortunado que resolveu me ''aguentar''. Um anjo. Isso eu não posso negar. Atravessamos oito meses sem nos ver, e cara, como doeu. Dói bastante você querer alguém aí, do teu lado. Com as mãos nas suas costas, a respiração no teu pescoço, os dedos no teu cabelo... Dói, dói muito. E de tanto doer, tem hora que as coisas tem que acabar. E ainda assim dói. Claro que dói. Já viu ferida em carne viva não doer? Bom, eu não. E olha, de feridas em carne viva, joelhos abertos, rasgos nas pernas, braços expostos, e corações partido, eu entendo. Talvez eu entenda melhor do que jamais quis, ou pior do que eu deveria. Mas tenho um conhecimento medíocre sobre essas coisas, essas questões da vida. Principalmente, se aquelas quatro letrinhas estiverem metidas no meio. O que não é surpresa alguma para ninguém. Acho que até mesmo Platão, Shakespeare e tantos outros sofreram muito com isso. Maldição mitológica por péssimo comportamento ancestral, seu ta-ta-ta-ta-tataravô foi uma péssima pessoa e as próximas vinte gerações foram amaldiçoadas. Porque não? Nunca vi nada comprovando a existência de nenhuma divindade. Nem descomprovando. Busco algo novo. Nem que seja uma palavra nova. Não gosto de coisas pré-definidas. Se nossas coisas já são pré-definidas porque escolhemos caminhos, pessoas, lugares? Não daria tudo na mesma? Não, aqui não. Nada acontece por acaso. Admito isso em alto e bom som. Ainda não ouviu? Pensa bem vai, logo você ouve, entende, compreende, reflete. E quem sabe, até me apoia nessa ideia louca de tentar entender-não-entendo as coisas. Merda, a filosofia anda me possuindo.
Dói, mas para variar um pouco, passa. Ou pelo menos alguma outra porcaria surge na sua vida e te faz mudar de foco. Acho mudança de foco outra coisa complicada. Você dispensa a atenção de algo que pode ser muito mais importante, para uma outra não tão importante assim. Acho que é aí que as feridas cicatrizam. Ou pelo menos, começam, tentam. Não acredito no definitivo. Tudo tem volta. Quase tudo. Sentimentos as vezes são enterrados, corroídos pelos vermes, porque era ali que eles deviam ficar. Ou foi ali o lugar que o destino reservou para eles. Nesse caso, o fim é claro e definitivo. Nada pode mudar.
Então, um brinde as mudanças de foco. E que seja assim para sempre. Porque parar de sentir, a gente não para. A gente só esconde, muito bem escondido. Dói menos. Tanto faz, essa coisa de doer anda me cansando demais. Dor é uma coisa tão obsoleta, tão ultrapassada. Mas fazer o que, é o que temos para hoje.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Descobri que ando muito sozinha. E descobri também que isso não é tão confortável quanto eu pensava. Descobri isso agora, na hora do jantar. Eu e a minha pizza. Só nós duas na cozinha toda branca. Cozinha agora, tão triste, mas que tantas vezes já foi lotada das risadas dos meus amigos, das pessoas que eu realmente gosto. Ando tão só, tão sozinha... tão só eu e eu mesma. Cansa viu? Nem sempre levar uma vida assim, tão... independente, é legal. Machuca, machuca muito. Eu encarava aquela pizza com cinco pedaços restantes de oito. E ela me encarava. A calabresa apimentada me encarava, as azeitonas pareciam olhos me julgando. Me julgavam por repelir tanta gente, por mandar embora tanta gente.
Eu andava bem, juro que andava. Mas o muro cai depois de um tempo. A liga já não anda tão fortalecida quanto antes. O vento bate, a água ataca, as pessoas batem.... E ele vai enfraquecendo. E tem hora, que ele cai. Cai sim, não adianta fugir, negar, mentir, evitar. Ele VAI cair, e quanto isso acontecer, não vai ter nada que você possa fazer contra. Teu muro vai cair em cima de você. E as coisas vão dar errado. A ordem vai ser chorar, reclamar, gritar, fazer voz-de-patricinha-de-filme-hollywoodiano-de-mil-novecentos-e-bolinha, bater o pé, chorar, chorar, chorar.
Coloquei um pedaço de pizza de calabresa na boca. A pimenta escorreu, queimando a minha língua tão machucada, com tantos cortes abertos, causados por atitudes impensadas, tolas, fúteis e adolescentescas. Lembrei da última vez que comi aquela pizza. A lembrança sorriu, mas o coração chorou. Chorou fundo, doído, doído. Até a alma entristeceu com o choro. A cozinha ficou menos branca. Meu cachorro calou. Meus dedos soltaram o garfo, e a calabresa ralada se abriu no prato. E ali ficou, ainda me encarando. Não chorei. Acho que tudo isso andou me fortalecendo. Não que não doa, pois dói sim. E como dói. Lembrei daquelas quatro pessoas sentadas em volta da mesa, comendo aquela mesma pizza, rindo de tudo, rindo de nada. Estávamos tão feliz naquela noite... Tão felizes.
Até meus amigos andam me abandonado. Me esquecendo, assim sabe? Devagarinho, devagarinho, mas andam. Já quase não tenho ninguém para ligar de madrugada. Se é que tenho alguém. Ando tão sozinha, tão eu comigo. Quero meu sorriso de volta, meus olhos secos e meu riso escancarado. Quem foi que roubou minha alegria?
A poesia oculta em uma pizza é enorme. Ao todo, são oito, doze ou dezesseis pedaços. A pizza nunca está sozinha. Ao contrário de nós. Bichos pensantes, com duas pernas, dois braços, mãos e pés. Repelimos as pessoas de perto de nós. Cansamos da mesma situação. Nos fingimos de fortes. Mas aí, ao pedir uma pizza, o muro vem abaixo. É tudo culpa da pizza.
Eu andava bem, juro que andava. Mas o muro cai depois de um tempo. A liga já não anda tão fortalecida quanto antes. O vento bate, a água ataca, as pessoas batem.... E ele vai enfraquecendo. E tem hora, que ele cai. Cai sim, não adianta fugir, negar, mentir, evitar. Ele VAI cair, e quanto isso acontecer, não vai ter nada que você possa fazer contra. Teu muro vai cair em cima de você. E as coisas vão dar errado. A ordem vai ser chorar, reclamar, gritar, fazer voz-de-patricinha-de-filme-hollywoodiano-de-mil-novecentos-e-bolinha, bater o pé, chorar, chorar, chorar.
Coloquei um pedaço de pizza de calabresa na boca. A pimenta escorreu, queimando a minha língua tão machucada, com tantos cortes abertos, causados por atitudes impensadas, tolas, fúteis e adolescentescas. Lembrei da última vez que comi aquela pizza. A lembrança sorriu, mas o coração chorou. Chorou fundo, doído, doído. Até a alma entristeceu com o choro. A cozinha ficou menos branca. Meu cachorro calou. Meus dedos soltaram o garfo, e a calabresa ralada se abriu no prato. E ali ficou, ainda me encarando. Não chorei. Acho que tudo isso andou me fortalecendo. Não que não doa, pois dói sim. E como dói. Lembrei daquelas quatro pessoas sentadas em volta da mesa, comendo aquela mesma pizza, rindo de tudo, rindo de nada. Estávamos tão feliz naquela noite... Tão felizes.
Até meus amigos andam me abandonado. Me esquecendo, assim sabe? Devagarinho, devagarinho, mas andam. Já quase não tenho ninguém para ligar de madrugada. Se é que tenho alguém. Ando tão sozinha, tão eu comigo. Quero meu sorriso de volta, meus olhos secos e meu riso escancarado. Quem foi que roubou minha alegria?
A poesia oculta em uma pizza é enorme. Ao todo, são oito, doze ou dezesseis pedaços. A pizza nunca está sozinha. Ao contrário de nós. Bichos pensantes, com duas pernas, dois braços, mãos e pés. Repelimos as pessoas de perto de nós. Cansamos da mesma situação. Nos fingimos de fortes. Mas aí, ao pedir uma pizza, o muro vem abaixo. É tudo culpa da pizza.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
E se todo mundo gostar mais de Guns n' Roses, Ac/Dc, Aerosmith, Pink Floy e etc e eu gostar mais de Legião Urbana? E se eu achar Renato Russo um gênio inalcançável perto do Axl Rose? E se eu tiver amigos que não acham a mesma coisa? E se esses ''amigos'' me influenciarem o suficiente, ao ponto de eu esconder meus verdadeiros gostos? E se eu que comprei meu cd do Justin Bieber, do Catch Side e do Cine? E se fui eu também que comprei meu cd da Manu Gavassi, na Livraria Cultura, da Paulista, point de gente cool, inteligente, interessante, alternativa e todos os outros adjetivos? E se eu ainda escuto todos esses cds? E se eu achar Abba coisa de gay? Assim como Creedance e Bee-Gees? E se eu não ligar pra U2, Eric Clapton, Blue Man? E se eu gostar mais de Pretty Little Liars? E se eu gosto de Friends, Cold Case, House, The Big Bang Theory, e House do que de Lost? E se eu NÃO gostar de Lost? E se eu já gostei muito de colírio? E se eu já tive mais de mil fotos de colírios no meu celular? E se eu gostar de Fiuk? E se eu ouço pagode, rock, pop, country, punk? E se eu gostar mesmo do Brasil e das coisas daqui? E se eu gostar de Sex Pistols e de Taylor Swift? Quem foi que disse que eu não posso rabiscar minhas paredes? E se eu leio desde revistas científicas até livros lindíssimos? E se eu gosto de gatos, cachorros, passarinhos, coelhos, cavalos, peixes e vacas? E se eu não tiver medo de altura e não quiser fazer uma tirolesa? E se eu assistir canais científicos e canais infantis? E se eu esconder o que eu gosto por causa dessas amizades? E se eu cansar de esconder? E se eu gostar mesmo mais de Legião Urbana do que de rock ''de verdade''? E se eu jogar tarot uma vez por semana? E se eu fizer combinações astrológicas? E se eu acreditar em signos e não acreditar em uma palavra do que você me diz? E se eu realmente quiser gritar pro mundo inteiro que Renato Russo era SIM o cara mais inteligente do último século? E se eu cansar de ser influenciada por essas drogas de amizades egoístas, orgulhosas, e de certa forma, preconceituosa? E se eu quiser ir na Livraria Cultura comprar só um chiclete? De tutti-frutti, da marca mais barata que eu encontrar? E se eu estiver cansada de tantos ''e se''?
Afinal, que eu me lembre, eu não assinei nada falando sobre o que eu ia gostar ou não. E quer saber? Cansei de esconder. E olha só. Eu gosto mesmo de tudo isso. E o que você pensa? Ligo tanto pra isso quanto ligo pra verduras. Ou seja, nada.
Afinal, que eu me lembre, eu não assinei nada falando sobre o que eu ia gostar ou não. E quer saber? Cansei de esconder. E olha só. Eu gosto mesmo de tudo isso. E o que você pensa? Ligo tanto pra isso quanto ligo pra verduras. Ou seja, nada.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Acordei virada. Um pote de ácido na língua, um punhal nos olhos. Tem dias que acordo assim. Terrível. Chata. Irritante. Malvada. Mas todo mundo tem uns dias assim. Dias do inferno na terra, habitando meu corpo. Coisa totalmente normal. Nothing special, honey. Afinal, a vida é composta por esses inferninhos. Tudo ia ser um inferno maior ainda se só existem sorrisos. Tem coisa mais enjoativa do que sorrisos por todos os lados? Talvez uma. Mas tem uma única coisa que me mandaria de volta para a minha sanidade rapidinho, rapidinho. Você aqui. Você, com a sua chatice incomum, seu jeito de rir, de brincar, de passar as mãos nos seus cabelos escuros. Suas mãos nas minhas costas,do seu sorriso torto, me sorrindo do canto dessa boca tão gostosa. Teus dedos dedilhando as cordas daquele teu amado instrumento. Eu sorrindo ao ver aquilo. Tão doce.. tão longe.
Mas a saída toda pra essa doçura enjoativa, ridícula convenhamos, é saber que eu não posso voltar lá. Eu não posso mudar nada do que aconteceu. Era pra ser. Nossos destinos estavam pré-destinados a se cruzarem. Estava escrito nas estrelas, nas ondas do mar, nas palmas de nossas mãos quentes quando juntas, ou somente no rodapé dos meus cadernos, agendas, provas, livros e mesas. Mas vou levando né. A sorte é que dessa vez, eu to é bem pé no chão. Sem cabeça nas nuvens, observando tudo do alto. Claro, ninguém não sonha. Desejo te ter aqui comigo. Mas to com a cabeça bem aberta, e to sabendo de que pode ser bem difícil de um dia tu parar de vez do meu lado. E acho que é esse o segredo da felicidade. Parar de sonhar tanto. Sonho vive no travesseiro. A única coisa que você pode ter aqui do lado de fora da vida - aqui mesmo, no lado frio, cinza e sem graça das coisas - são os objetivos. Pensa em um, pega uma régua e traça sua reta até ele. Mas traça fundo. Marca bem toda sua linha. Faz um caminho, fundo, seguro. Se for fundo o suficiente, você não vai cair tão facilmente.
Eu quis tanto que você aparecesse assim, do nada, na minha janela. Não tacando pedras no meu vidro, me acordando no meio da noite. Até porque esse lado da vida é tão cinza que a janela não possibilita nem isso. Não precisava nem ser na minha janela. Mas me aparecer assim, no meio da noite. Nem que fosse com meu celular tremendo, de leve. Talvez eu não visse na hora, talvez eu visse só na hora em que eu abrisse meus olhos sem cor definida. Mas eu ia ver. E meu coração subiria até a boca. E voltaria. Um looping, outro, outro. Não pararia tão cedo. Ficaria com aquela sensação estranha, fora do comum sabe? Aquela de que você não sabe o que sente de verdade. Mas eu queria de verdade que você aparecesse. E depois surgisse do nada, no meio do cruzamento dessa avenida tão barulhenta debaixo da minha janela. Para fazer qualquer coisa. Tomar um picolé de limão, um sorvete de cereja dessa doceria tão gostosa que tem aqui perto. Olhar as nuvens, as folhas, as crianças rindo nos balanços do parque. E sorrir com essas besteirinhas. Sorrir porque tudo o que é pequeno, ganha uma importância extrema quando estamos com quem a gente quer estar. Sentar na beira de algum banco de madeira com a tinta branca descascada com jeito de banco-de-praça-de-cidadezinha-sem-nome-nem-nada para dar risada de histórias antigas. Histórias minhas, suas, dos outros. Te falar dos meus planos, ouvir você falar dos seus. Simplesmente ouvir.
Eu ando muito assim, é verdade. Por que? Por quem? Ah, e essa velha história de querer entender as coisas, querer entender os sentimentos. Perda total de tempo. Quando to desse jeito, penso: Para com isso menina! A vida brilha demais lá fora pra você ficar aí sonhando com coisa que não vai vir. E passa viu. Como passa. Passa rápido. Passa rápido porque eu sou forte. Já passei por cima de algumas coisas, e aguento coisas rindo que as pessoas não aguentariam nem sob efeito de morfina. Porque sou forte. E força não é algo que você adquire quando quer, força é algo que você adquire depois que cai. Mas depois de cair muito. E, baby, como eu caí, como eu caí.. Mas levantei, a vista lá debaixo é muito feia. As coisas ficam longes, longe do seu alcance. E eu não gosto de coisa longe das minhas mãos. Síndrome de possessividade, fazer o que. Isso é coisa de gente fresca, assim como eu. E certamente como você. Afinal, deve ser fresco também.
De qualquer forma, mesmo sendo fresca, banal, chata, irritante, maléfica, ácida e toda essa baboseira de adjetivos que me definem numa composição química extremamente intrigante, eu sinto. E sentir não é errado. Admito que sentir dói. Dói e não é pouco. Mas faz bem. Relaxa que passa.
Mas a saída toda pra essa doçura enjoativa, ridícula convenhamos, é saber que eu não posso voltar lá. Eu não posso mudar nada do que aconteceu. Era pra ser. Nossos destinos estavam pré-destinados a se cruzarem. Estava escrito nas estrelas, nas ondas do mar, nas palmas de nossas mãos quentes quando juntas, ou somente no rodapé dos meus cadernos, agendas, provas, livros e mesas. Mas vou levando né. A sorte é que dessa vez, eu to é bem pé no chão. Sem cabeça nas nuvens, observando tudo do alto. Claro, ninguém não sonha. Desejo te ter aqui comigo. Mas to com a cabeça bem aberta, e to sabendo de que pode ser bem difícil de um dia tu parar de vez do meu lado. E acho que é esse o segredo da felicidade. Parar de sonhar tanto. Sonho vive no travesseiro. A única coisa que você pode ter aqui do lado de fora da vida - aqui mesmo, no lado frio, cinza e sem graça das coisas - são os objetivos. Pensa em um, pega uma régua e traça sua reta até ele. Mas traça fundo. Marca bem toda sua linha. Faz um caminho, fundo, seguro. Se for fundo o suficiente, você não vai cair tão facilmente.
Eu quis tanto que você aparecesse assim, do nada, na minha janela. Não tacando pedras no meu vidro, me acordando no meio da noite. Até porque esse lado da vida é tão cinza que a janela não possibilita nem isso. Não precisava nem ser na minha janela. Mas me aparecer assim, no meio da noite. Nem que fosse com meu celular tremendo, de leve. Talvez eu não visse na hora, talvez eu visse só na hora em que eu abrisse meus olhos sem cor definida. Mas eu ia ver. E meu coração subiria até a boca. E voltaria. Um looping, outro, outro. Não pararia tão cedo. Ficaria com aquela sensação estranha, fora do comum sabe? Aquela de que você não sabe o que sente de verdade. Mas eu queria de verdade que você aparecesse. E depois surgisse do nada, no meio do cruzamento dessa avenida tão barulhenta debaixo da minha janela. Para fazer qualquer coisa. Tomar um picolé de limão, um sorvete de cereja dessa doceria tão gostosa que tem aqui perto. Olhar as nuvens, as folhas, as crianças rindo nos balanços do parque. E sorrir com essas besteirinhas. Sorrir porque tudo o que é pequeno, ganha uma importância extrema quando estamos com quem a gente quer estar. Sentar na beira de algum banco de madeira com a tinta branca descascada com jeito de banco-de-praça-de-cidadezinha-sem-nome-nem-nada para dar risada de histórias antigas. Histórias minhas, suas, dos outros. Te falar dos meus planos, ouvir você falar dos seus. Simplesmente ouvir.
Eu ando muito assim, é verdade. Por que? Por quem? Ah, e essa velha história de querer entender as coisas, querer entender os sentimentos. Perda total de tempo. Quando to desse jeito, penso: Para com isso menina! A vida brilha demais lá fora pra você ficar aí sonhando com coisa que não vai vir. E passa viu. Como passa. Passa rápido. Passa rápido porque eu sou forte. Já passei por cima de algumas coisas, e aguento coisas rindo que as pessoas não aguentariam nem sob efeito de morfina. Porque sou forte. E força não é algo que você adquire quando quer, força é algo que você adquire depois que cai. Mas depois de cair muito. E, baby, como eu caí, como eu caí.. Mas levantei, a vista lá debaixo é muito feia. As coisas ficam longes, longe do seu alcance. E eu não gosto de coisa longe das minhas mãos. Síndrome de possessividade, fazer o que. Isso é coisa de gente fresca, assim como eu. E certamente como você. Afinal, deve ser fresco também.
De qualquer forma, mesmo sendo fresca, banal, chata, irritante, maléfica, ácida e toda essa baboseira de adjetivos que me definem numa composição química extremamente intrigante, eu sinto. E sentir não é errado. Admito que sentir dói. Dói e não é pouco. Mas faz bem. Relaxa que passa.
domingo, 14 de agosto de 2011
Teve hora que tudo parecia que ia dar certo. Mas claro, como sempre, só parecia. Porque as coisas parecem demais. Parecem, parecem, parecem. Só parecem. Quase nada do que parece é. E é essa coisa toda de parecer-é-não-é que faz tudo ser do jeito que é. Fantasioso. A gente se engana o tempo todo achando uma coisa numa outra. Coisas nada a ver uma com a outra.
E sei lá, essa confusão toda, essa mentira toda contada em volta de coisas belas e não belas tiram toda a perfeição do momento. Chega até a ser nojento.
Pensa comigo, você sonha. Sonha como se fosse um idiota. Acreditando em coisas que não são o que parecem ser. E você sonha. Sonha, sonha, sonha. Um belo dum dia azul, antes de uma chuva, claro. Porque até hoje não conheci nenhum dia azul demais que não trouxesse uma chuva em algum momento. E uma chuva daquelas bem cinzas. Sem cor nenhuma naquelas nuvens carregadas de água gelada, com trovões, relâmpagos e raios. Mas chuva assim, ás vezes tem momento bom. Se tu tá numa piscina, debaixo daquele sol maravilhoso, e daquele céu azul cor de lápis de cor de criança, e começa essa chuva. A água gelada do céu se mistura com a água gelada do espaço duro, frio, de concreto cheio d'água no qual você se encontra. Às vezes, chuva cinza pode trazer sorriso. Mas na maior parte das vezes, só te traz uma queda feia do alto de uma beliche. Ou de uma treliche, tanto faz pra mim. A questão é que você cai. Lá está você, sonhando, sonhando com uma droga dum mundo bonito. Só sonho, claro. E no meio dessa sua fantasia estilo final-de-conto-de-fadas-da-disney, aparece a verdade. Crua, fria, cruel, calculista. E pronto. Questão de horas pra você estar trancado dentro do teu quarto escuro. Janelas fechadas, porta fechada, a luz desligada. Afinal, nem toda a luz do mundo traria algum tipo de claridade para esse momento tão dark da sua vida. E o gato passeia por cima de você, as patas calculando delicadamente onde pisar, onde não pisar. Gatos são criaturas adoráveis. Os animais mais parecidos com os seres humanos que podem existir no mundo. Dão atenção quando querem, não olham na sua cara quando querem. Sâo pessoais e exclusivos. E depois de um tempo caminhando por cima da sua cara amassada e molhada por aquela quantidade ridiculamente enorme de lágrimas que você nunca deveria ter derrubado, ele deita do teu lado. E nesse momento
de fidelidade felina, você vê porque precisa de momentos quase suicidas como esses. Nesses momentos cheios de merda e de to-com-uma-vontade-enorme-de-passar-uma-lâmina-no-meu-pulso-esquerdo-e-nunca-mais-abrir-os-olhos-de-novo que as coisas mudam. E o mais legal dessa história toda, é que uma hora ou outra você vai ter que levantar tua bunda da cama, e abrir as cortinas da janelas. Talvez, pouco a pouco. Mas você vai fazer isso. E mesmo se for devagarinho, devagarinho, a luz vai entrar. E mais cedo ou mais tarde. Às vezes mais tarde, às vezes mais cedo. Mas vai passar.
E sei lá, essa confusão toda, essa mentira toda contada em volta de coisas belas e não belas tiram toda a perfeição do momento. Chega até a ser nojento.
Pensa comigo, você sonha. Sonha como se fosse um idiota. Acreditando em coisas que não são o que parecem ser. E você sonha. Sonha, sonha, sonha. Um belo dum dia azul, antes de uma chuva, claro. Porque até hoje não conheci nenhum dia azul demais que não trouxesse uma chuva em algum momento. E uma chuva daquelas bem cinzas. Sem cor nenhuma naquelas nuvens carregadas de água gelada, com trovões, relâmpagos e raios. Mas chuva assim, ás vezes tem momento bom. Se tu tá numa piscina, debaixo daquele sol maravilhoso, e daquele céu azul cor de lápis de cor de criança, e começa essa chuva. A água gelada do céu se mistura com a água gelada do espaço duro, frio, de concreto cheio d'água no qual você se encontra. Às vezes, chuva cinza pode trazer sorriso. Mas na maior parte das vezes, só te traz uma queda feia do alto de uma beliche. Ou de uma treliche, tanto faz pra mim. A questão é que você cai. Lá está você, sonhando, sonhando com uma droga dum mundo bonito. Só sonho, claro. E no meio dessa sua fantasia estilo final-de-conto-de-fadas-da-disney, aparece a verdade. Crua, fria, cruel, calculista. E pronto. Questão de horas pra você estar trancado dentro do teu quarto escuro. Janelas fechadas, porta fechada, a luz desligada. Afinal, nem toda a luz do mundo traria algum tipo de claridade para esse momento tão dark da sua vida. E o gato passeia por cima de você, as patas calculando delicadamente onde pisar, onde não pisar. Gatos são criaturas adoráveis. Os animais mais parecidos com os seres humanos que podem existir no mundo. Dão atenção quando querem, não olham na sua cara quando querem. Sâo pessoais e exclusivos. E depois de um tempo caminhando por cima da sua cara amassada e molhada por aquela quantidade ridiculamente enorme de lágrimas que você nunca deveria ter derrubado, ele deita do teu lado. E nesse momento
de fidelidade felina, você vê porque precisa de momentos quase suicidas como esses. Nesses momentos cheios de merda e de to-com-uma-vontade-enorme-de-passar-uma-lâmina-no-meu-pulso-esquerdo-e-nunca-mais-abrir-os-olhos-de-novo que as coisas mudam. E o mais legal dessa história toda, é que uma hora ou outra você vai ter que levantar tua bunda da cama, e abrir as cortinas da janelas. Talvez, pouco a pouco. Mas você vai fazer isso. E mesmo se for devagarinho, devagarinho, a luz vai entrar. E mais cedo ou mais tarde. Às vezes mais tarde, às vezes mais cedo. Mas vai passar.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Talvez eu vá para bem longe desse lugarzinho de merda no qual eu te encontrei. Ou talvez eu fique e te force a fazer aquela droga de escolha.
De qualquer forma, juro que te mando lembranças. Ás vezes, de dor. Ás vezes, de alegria. Não sei. Depende do meu humor no dia em que você voltar a bater na porta fraca da minha memória. E eu não conseguir batê-la na sua cara rabiscada por alguma coisa que deu origem a toda essa porcaria de bola azul e a todo esse bla bla bla insuportável dessa coisa chata chamada ''vida''.
Também não sei se você merece. Ou se não merece. De qualquer forma, isso pouquíssimo me importa agora.
Talvez eu vá sentir falta da sua pele branca. Dos seus cabelos e olhos pretos como a noite. Mas sem estrelas. Uma noite escura, totalmente sem brilho. O brilho desses pequenos pontos de purpurina tirariam a importância do momento. Falta do seu riso aberto e de suas frases irônicas, carregadas de escárnio. Falta de suas mãos no meu corpo, e do seu riso tão próximo ao meu. Falta de te provocar, de você me deixar sem jeito. Falta do meu rosto queimando perto de você.
A merda toda fica pior porque eu não quero te entregar com laço, fita e papel de presente para aquelazinha que combate comigo, por você. Não sou de dar as coisas tão facilmente. Nunca fui, e não pretendo ser.
E eu vou lembrar das suas mãos finas puxando meu rosto, e levando meus lábios até os seus. Das suas mãos alojadas em minha cintura, e na parte externa da minha coxa. Seus dedos na base da minha cintura, deles correndo pelos meus cabelos.
Mas, ando achando o amor, a paixão e etc, uma coisa meio fresca, metida. Você acha que ama alguém. Mas existem tantas outras milhares de pessoas que você nunca vai colocar os olhos. E mesmo assim, você ainda acha que ama aquela primeira.
Daqui algum tempo, quem sabe, eu me sente em uma mesa velha de madeira, com um copo de conhaque na mão. Sem cigarros. Cigarros envenenam a alma e a mente. Uma morte dolorosa, e lenta. Não me parece uma boa maneira de morrer. Embriagado por uma fumaça azulada, tóxica. E no meio desse momento sentada-numa-mesa-de-madeira-com-conhaque-e-sem-cigarros você vai me aparecer na memória, quem sabe. Bem no momento em que o conhaque estiver descendo, amargo e cortante pela minha garganta seca, garganta já sem gosto de corrimão sujo. Vai aparecer em um passe de mágica. Varinha de condão, pó de pirlimpimpim, aparatação, holograma.. Chame do que quiser. Pouco me importa o jeito que você vai chamar essa porcaria toda. E depois disso, vou me levantar e ir a procura de uma droga menos dolorosa na minha cabeça. E aí eu te vejo. Te vejo nos carros que passam, nas lajotas do chão, nas pessoas na rua, dentro das vitrines, no focinho de algum cachorro solto por aí. E descubro que estou completamente louca. Louca de saudades, louca de vontade, louca por você. Nessa altura, já não sei mais onde te encontro. Já não sei se você está sob sete palmos debaixo desse chão sujo que eu piso com meu sapato de sola suja, já tão gasto. Ou se respira essa droga de ar poluído que sai das minhas narinas, e, de alguma forma, entra nas tuas. E eu vou, fingir desistir dessa babaquice toda de um dia te ter de volta.
Acho que sou uma cretina do tipo AAA+. Me engano, te engano, engano todo mundo. Sou puta, sou santa. Não sou nada disso. Sou tudo. E não sou nada. Eu vou enganando tudo e todos aos poucos. Ou vou desenganando, tirando minha máscara perfeita que cobre o que realmente escondo, o que guardo só para mim. O que somente eu sei, segredos que guardo no meu íntimo e louco pensamento. É tudo questão de ponto de vista. Depende do modo de encarar a vida.
Vejo essa droga de situação como um duelo. Desculpe-me, mas meu lado guerreira-espartana-em-alguma-vida-passada anda falando mais alto do que eu posso ignorar.
E ali estou eu. No meio da arena. Um elmo negro cobrindo meu rosto, com um penacho preto sobre ele. A espada, presa ao meu quadril. Escudo na mão esquerda, com uma imagem terrível gravada no bronze, imagem que afugenta muita gente. Seu pior pesadelo em um pedaço de bronze. Lança na direita. Arco e flechas em minhas costas.
Minha adversária não possui tantas armas quanto eu. E mesmo se possuísse, cada equipamento é uma parte do meu corpo. É parte de mim. De qualquer forma, eu estou pronta para a guerra. Segura das minhas armas e técnicas, segura de que a vitória é minha.
Mas, claro, ter habilidade nesse jogo não conta nada. A decisão não é dentro do campo. Quem morre com uma espada cravada no meio da garganta não sou eu que escolho. A escolha é tua. E claro, que se eu perder, perderei de cabeça erguida. Aceitarei com honra a lança em minha garganta. Morrerei lutando. Honra máxima para guerreiros espartanos. E eu não desisto do que quero, assim como esses gregos tão metidos a justiceiros. Eu vou a luta. Dou a cara a tapa. Se eu não for atrás do que eu quero, quem irá por mim?
Basta de devaneios estúpidos, comparações idiotas. Você - nem ninguém - vale a minha morte. Mas eu vou a luta, corro atrás do que quero. Com ou sem espada, escudos, lanças, e arcos e flechas. Eu vou luta. Não espero sentada pela chuva, ou pelo sol. Eu corro. No caminho, tropeço em alguma coisa boa, alguma coisa ruim. Talvez eu caia, e arrebente de uma vez por todas a droga da minha cabeça dura. Tudo bem. Uma bandagem aqui, um esparadrapo ali, e vamos em frente. O que há de fazer? É só uma cabeça quebrada. Eu sei que eu consigo. Você sabe que eu consigo. Todo mundo sabe disso.
Você tem algo diferente para mim. Eu preciso descobrir o que é. Só você e eu. Eu e você. Acontece que eu não sou o tipo de menina que torna essa babaquice toda facinha, facinha. É uma espécie de desafio. Mas minha respiração tem uma dose de ecstasy cada vez que você me toca. Não pretendo enfiar a língua dentro da sua boca e te contar tudo, te entregar essa droga de segredo que guardo debaixo de milhões de chaves. Segredo tão secreto que até eu escondo de mim mesma. Segredo tão segregado, que ninguém imagina. E não vai imaginar. Chega dessa besteira de livro aberto. Coisas abertas demais não são boas. São fracas. E coisas fracas logo partem, racham, são esquecidas dentro de um baú com tantas outras coisas fracas partidas e rachadas.
De qualquer forma, juro que te mando lembranças. Ás vezes, de dor. Ás vezes, de alegria. Não sei. Depende do meu humor no dia em que você voltar a bater na porta fraca da minha memória. E eu não conseguir batê-la na sua cara rabiscada por alguma coisa que deu origem a toda essa porcaria de bola azul e a todo esse bla bla bla insuportável dessa coisa chata chamada ''vida''.
Também não sei se você merece. Ou se não merece. De qualquer forma, isso pouquíssimo me importa agora.
Talvez eu vá sentir falta da sua pele branca. Dos seus cabelos e olhos pretos como a noite. Mas sem estrelas. Uma noite escura, totalmente sem brilho. O brilho desses pequenos pontos de purpurina tirariam a importância do momento. Falta do seu riso aberto e de suas frases irônicas, carregadas de escárnio. Falta de suas mãos no meu corpo, e do seu riso tão próximo ao meu. Falta de te provocar, de você me deixar sem jeito. Falta do meu rosto queimando perto de você.
A merda toda fica pior porque eu não quero te entregar com laço, fita e papel de presente para aquelazinha que combate comigo, por você. Não sou de dar as coisas tão facilmente. Nunca fui, e não pretendo ser.
E eu vou lembrar das suas mãos finas puxando meu rosto, e levando meus lábios até os seus. Das suas mãos alojadas em minha cintura, e na parte externa da minha coxa. Seus dedos na base da minha cintura, deles correndo pelos meus cabelos.
Mas, ando achando o amor, a paixão e etc, uma coisa meio fresca, metida. Você acha que ama alguém. Mas existem tantas outras milhares de pessoas que você nunca vai colocar os olhos. E mesmo assim, você ainda acha que ama aquela primeira.
Daqui algum tempo, quem sabe, eu me sente em uma mesa velha de madeira, com um copo de conhaque na mão. Sem cigarros. Cigarros envenenam a alma e a mente. Uma morte dolorosa, e lenta. Não me parece uma boa maneira de morrer. Embriagado por uma fumaça azulada, tóxica. E no meio desse momento sentada-numa-mesa-de-madeira-com-conhaque-e-sem-cigarros você vai me aparecer na memória, quem sabe. Bem no momento em que o conhaque estiver descendo, amargo e cortante pela minha garganta seca, garganta já sem gosto de corrimão sujo. Vai aparecer em um passe de mágica. Varinha de condão, pó de pirlimpimpim, aparatação, holograma.. Chame do que quiser. Pouco me importa o jeito que você vai chamar essa porcaria toda. E depois disso, vou me levantar e ir a procura de uma droga menos dolorosa na minha cabeça. E aí eu te vejo. Te vejo nos carros que passam, nas lajotas do chão, nas pessoas na rua, dentro das vitrines, no focinho de algum cachorro solto por aí. E descubro que estou completamente louca. Louca de saudades, louca de vontade, louca por você. Nessa altura, já não sei mais onde te encontro. Já não sei se você está sob sete palmos debaixo desse chão sujo que eu piso com meu sapato de sola suja, já tão gasto. Ou se respira essa droga de ar poluído que sai das minhas narinas, e, de alguma forma, entra nas tuas. E eu vou, fingir desistir dessa babaquice toda de um dia te ter de volta.
Acho que sou uma cretina do tipo AAA+. Me engano, te engano, engano todo mundo. Sou puta, sou santa. Não sou nada disso. Sou tudo. E não sou nada. Eu vou enganando tudo e todos aos poucos. Ou vou desenganando, tirando minha máscara perfeita que cobre o que realmente escondo, o que guardo só para mim. O que somente eu sei, segredos que guardo no meu íntimo e louco pensamento. É tudo questão de ponto de vista. Depende do modo de encarar a vida.
Vejo essa droga de situação como um duelo. Desculpe-me, mas meu lado guerreira-espartana-em-alguma-vida-passada anda falando mais alto do que eu posso ignorar.
E ali estou eu. No meio da arena. Um elmo negro cobrindo meu rosto, com um penacho preto sobre ele. A espada, presa ao meu quadril. Escudo na mão esquerda, com uma imagem terrível gravada no bronze, imagem que afugenta muita gente. Seu pior pesadelo em um pedaço de bronze. Lança na direita. Arco e flechas em minhas costas.
Minha adversária não possui tantas armas quanto eu. E mesmo se possuísse, cada equipamento é uma parte do meu corpo. É parte de mim. De qualquer forma, eu estou pronta para a guerra. Segura das minhas armas e técnicas, segura de que a vitória é minha.
Mas, claro, ter habilidade nesse jogo não conta nada. A decisão não é dentro do campo. Quem morre com uma espada cravada no meio da garganta não sou eu que escolho. A escolha é tua. E claro, que se eu perder, perderei de cabeça erguida. Aceitarei com honra a lança em minha garganta. Morrerei lutando. Honra máxima para guerreiros espartanos. E eu não desisto do que quero, assim como esses gregos tão metidos a justiceiros. Eu vou a luta. Dou a cara a tapa. Se eu não for atrás do que eu quero, quem irá por mim?
Basta de devaneios estúpidos, comparações idiotas. Você - nem ninguém - vale a minha morte. Mas eu vou a luta, corro atrás do que quero. Com ou sem espada, escudos, lanças, e arcos e flechas. Eu vou luta. Não espero sentada pela chuva, ou pelo sol. Eu corro. No caminho, tropeço em alguma coisa boa, alguma coisa ruim. Talvez eu caia, e arrebente de uma vez por todas a droga da minha cabeça dura. Tudo bem. Uma bandagem aqui, um esparadrapo ali, e vamos em frente. O que há de fazer? É só uma cabeça quebrada. Eu sei que eu consigo. Você sabe que eu consigo. Todo mundo sabe disso.
Você tem algo diferente para mim. Eu preciso descobrir o que é. Só você e eu. Eu e você. Acontece que eu não sou o tipo de menina que torna essa babaquice toda facinha, facinha. É uma espécie de desafio. Mas minha respiração tem uma dose de ecstasy cada vez que você me toca. Não pretendo enfiar a língua dentro da sua boca e te contar tudo, te entregar essa droga de segredo que guardo debaixo de milhões de chaves. Segredo tão secreto que até eu escondo de mim mesma. Segredo tão segregado, que ninguém imagina. E não vai imaginar. Chega dessa besteira de livro aberto. Coisas abertas demais não são boas. São fracas. E coisas fracas logo partem, racham, são esquecidas dentro de um baú com tantas outras coisas fracas partidas e rachadas.
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