quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Talvez eu vá para bem longe desse lugarzinho de merda no qual eu te encontrei. Ou talvez eu fique e te force a fazer aquela droga de escolha.
De qualquer forma, juro que te mando lembranças.  Ás vezes, de dor. Ás vezes, de alegria. Não sei. Depende do meu humor no dia em que você voltar a bater na porta fraca da minha memória. E eu não conseguir batê-la na sua cara rabiscada por alguma coisa que deu origem a toda essa porcaria de bola azul e a todo esse bla bla bla insuportável dessa coisa chata chamada ''vida''.
Também não sei se você merece. Ou se não merece. De qualquer forma, isso pouquíssimo me importa agora.
Talvez eu vá sentir falta da sua pele branca. Dos seus cabelos e olhos pretos como a noite. Mas sem estrelas. Uma noite escura, totalmente sem brilho. O brilho desses pequenos pontos de purpurina tirariam a importância do momento. Falta do seu riso aberto e de suas frases irônicas, carregadas de escárnio. Falta de suas mãos no meu corpo, e do seu riso tão próximo ao meu. Falta de te provocar, de você me deixar sem jeito. Falta do meu rosto queimando perto de você.
A merda toda fica pior porque eu não quero te entregar com laço, fita e papel de presente para aquelazinha que combate comigo, por você. Não sou de dar as coisas tão facilmente. Nunca fui, e não pretendo ser.
E eu vou lembrar das suas mãos finas puxando meu rosto, e levando meus lábios até os seus. Das suas mãos alojadas em minha cintura, e na parte externa da minha coxa. Seus dedos na base da minha cintura, deles correndo pelos meus cabelos.
Mas, ando achando o amor, a paixão e etc, uma coisa meio fresca, metida. Você acha que ama alguém. Mas existem tantas outras milhares de pessoas que você nunca vai colocar os olhos. E mesmo assim, você ainda acha que ama aquela primeira.
Daqui algum tempo, quem sabe, eu me sente em uma mesa velha de madeira, com um copo de conhaque na mão. Sem cigarros. Cigarros envenenam a alma e a mente. Uma morte dolorosa, e lenta. Não me parece uma boa maneira de morrer. Embriagado por uma fumaça azulada, tóxica. E no meio desse momento sentada-numa-mesa-de-madeira-com-conhaque-e-sem-cigarros você vai me aparecer na memória, quem sabe. Bem no momento em que o conhaque estiver descendo, amargo e cortante pela minha garganta seca, garganta já sem gosto de corrimão sujo. Vai aparecer em um passe de mágica. Varinha de condão, pó de pirlimpimpim, aparatação, holograma.. Chame do que quiser. Pouco me importa o jeito que você vai chamar essa porcaria toda. E depois disso, vou me levantar e ir a procura de uma droga menos dolorosa na minha cabeça. E aí eu te vejo. Te vejo nos carros que passam, nas lajotas do chão, nas pessoas na rua, dentro das vitrines, no focinho de algum cachorro solto por aí. E descubro que estou completamente louca. Louca de saudades, louca de vontade, louca por você. Nessa altura, já não sei mais onde te encontro. Já não sei se você está sob sete palmos debaixo desse chão sujo que eu piso com meu sapato de sola suja, já tão gasto. Ou se respira essa droga de ar poluído que sai das minhas narinas, e, de alguma forma, entra nas tuas. E eu vou, fingir desistir dessa babaquice toda de um dia te ter de volta.
Acho que sou uma cretina do tipo AAA+. Me engano, te engano, engano todo mundo. Sou puta, sou santa. Não sou nada disso. Sou tudo. E não sou nada. Eu vou enganando tudo e todos aos poucos. Ou vou desenganando, tirando minha máscara perfeita que cobre o que realmente escondo, o que guardo só para mim. O que somente eu sei, segredos que guardo no meu íntimo e louco pensamento. É tudo questão de ponto de vista. Depende do modo de encarar a vida.
Vejo essa droga de situação como um duelo. Desculpe-me, mas meu lado guerreira-espartana-em-alguma-vida-passada anda falando mais alto do que eu posso ignorar.
E ali estou eu. No meio da arena. Um elmo negro cobrindo meu rosto, com um penacho preto sobre ele. A espada, presa ao meu quadril. Escudo na mão esquerda, com uma imagem terrível gravada no bronze, imagem que afugenta muita gente. Seu pior pesadelo em um pedaço de bronze.  Lança na direita. Arco e flechas em minhas costas.
Minha adversária não possui tantas armas quanto eu. E mesmo se possuísse, cada equipamento é uma parte do meu corpo. É parte de mim. De qualquer forma, eu estou pronta para a guerra. Segura das minhas armas e técnicas, segura de que a vitória é minha.
Mas, claro, ter habilidade nesse jogo não conta nada. A decisão não é dentro do campo. Quem morre com uma espada cravada no meio da garganta não sou eu que escolho.  A escolha é tua. E claro, que se eu perder, perderei de cabeça erguida. Aceitarei com honra a lança em minha garganta. Morrerei lutando. Honra máxima para guerreiros espartanos. E eu não desisto do que quero, assim como esses gregos tão metidos a justiceiros. Eu vou a luta. Dou a cara a tapa. Se eu não for atrás do que eu quero, quem irá por mim?
Basta de devaneios estúpidos, comparações idiotas. Você - nem ninguém - vale a minha morte. Mas eu vou a luta, corro atrás do que quero. Com ou sem espada, escudos, lanças, e arcos e flechas. Eu vou luta. Não espero sentada pela chuva, ou pelo sol. Eu corro. No caminho, tropeço em alguma coisa boa, alguma coisa ruim. Talvez eu caia, e arrebente de uma vez por todas a droga da minha cabeça dura. Tudo bem. Uma bandagem aqui, um esparadrapo ali, e vamos em frente. O que há de fazer? É só uma cabeça quebrada.  Eu sei que eu consigo. Você sabe que eu consigo. Todo mundo sabe disso.
Você tem algo diferente para mim. Eu preciso descobrir o que é. Só você e eu. Eu e você. Acontece que eu não sou o tipo de menina que torna essa babaquice toda facinha, facinha. É uma espécie de desafio. Mas minha respiração tem uma dose de ecstasy cada vez que você me toca. Não pretendo enfiar a língua dentro da sua boca e te contar tudo, te entregar essa droga de segredo que guardo debaixo de milhões de chaves. Segredo tão secreto que até eu escondo de mim mesma. Segredo tão segregado, que ninguém imagina. E não vai imaginar. Chega dessa besteira de livro aberto. Coisas abertas demais não são boas. São fracas. E coisas fracas logo partem, racham, são esquecidas dentro de um baú com tantas outras coisas fracas partidas e rachadas.

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