domingo, 14 de agosto de 2011

Teve hora que tudo parecia que ia dar certo. Mas claro, como sempre, só parecia. Porque as coisas parecem demais. Parecem, parecem, parecem. Só parecem. Quase nada do que parece é. E é essa coisa toda de parecer-é-não-é que faz tudo ser do jeito que é. Fantasioso. A gente se engana o tempo todo achando uma coisa numa outra. Coisas nada a ver uma com a outra.
E sei lá, essa confusão toda, essa mentira toda contada em volta de coisas belas e não belas tiram toda a perfeição do momento. Chega até a ser nojento.
Pensa comigo, você sonha. Sonha como se fosse um idiota. Acreditando em coisas que não são o que parecem ser. E você sonha. Sonha, sonha, sonha. Um belo dum dia azul, antes de uma chuva, claro. Porque até hoje não conheci nenhum dia azul demais que não trouxesse uma chuva em algum momento. E uma chuva daquelas bem cinzas. Sem cor nenhuma naquelas nuvens carregadas de água gelada, com trovões, relâmpagos e raios. Mas chuva assim, ás vezes tem momento bom. Se tu tá numa piscina, debaixo daquele sol maravilhoso, e daquele céu azul cor de lápis de cor de criança, e começa essa chuva. A água gelada do céu se mistura com a água gelada do espaço duro, frio, de concreto cheio d'água no qual você se encontra. Às vezes, chuva cinza pode trazer sorriso. Mas na maior parte das vezes, só te traz uma queda feia do alto de uma beliche. Ou de uma treliche, tanto faz pra mim. A questão é que você cai. Lá está você, sonhando, sonhando com uma droga dum mundo bonito. Só sonho, claro. E no meio dessa sua fantasia estilo final-de-conto-de-fadas-da-disney, aparece a verdade. Crua, fria, cruel, calculista. E pronto. Questão de horas pra você estar trancado dentro do teu quarto escuro. Janelas fechadas, porta fechada, a luz desligada. Afinal, nem toda a luz do mundo traria algum tipo de claridade para esse momento tão dark da sua vida.  E o gato passeia por cima de você, as patas calculando delicadamente onde pisar, onde não pisar. Gatos são criaturas adoráveis. Os animais mais parecidos com os seres humanos que podem existir no mundo. Dão atenção quando querem, não olham na sua cara quando querem. Sâo pessoais e exclusivos. E depois de um tempo caminhando por cima da sua cara amassada e molhada por aquela quantidade ridiculamente enorme de lágrimas que você nunca deveria ter derrubado, ele deita do teu lado.  E nesse momento
de fidelidade felina, você vê porque precisa de momentos quase suicidas como esses.  Nesses momentos cheios de merda e de to-com-uma-vontade-enorme-de-passar-uma-lâmina-no-meu-pulso-esquerdo-e-nunca-mais-abrir-os-olhos-de-novo que as coisas mudam. E o mais legal dessa história toda, é que uma hora ou outra você vai ter que levantar tua bunda da cama, e abrir as cortinas da janelas. Talvez, pouco a pouco. Mas você vai fazer isso. E mesmo se for devagarinho, devagarinho, a luz vai entrar. E mais cedo ou mais tarde. Às vezes mais tarde, às vezes mais cedo. Mas vai passar.

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