Tenho um certo trauma de relacionamentos. Virtuais, presenciais, imaginários, por cartas, sinais de fumaça ou qualquer coisa assim. Passei um ano e dez meses metida num que só me deu problema. O garoto em si já era um grande problema na minha vida. Tinha tudo, tudo, tudo, mas não queria. Fazia tudo errado. Brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos, brigávamos, voltávamos..... por um ano e dez meses fomos assim. Até que eu me enchi, e terminei tudo. Não, fácil não foi. Ah, como doeu. E dói até hoje, acho que eu não quero superar. A vida da gente faz a gente lembrar quem foi bom pra gente mesmo sendo ruim. E eu confesso que tenho um certo medo de superar, e que as vezes ainda me pego olhando nossas conversas. Hoje, me dá nostalgia, não dor. Mas ele me faz falta.
Não é segredo para ninguém que, se você tem algo contra alguma coisa, essa coisa vai te perseguir. E não foi diferente comigo-e-meu-trauma-de-relacionamentos-de-qualquer-tipo. Me surgiu um novo. Claro, sempre surge. A principal diferença entre esse ''novo'' e o meu primeiro e traumatizante amor virtual, é que nesse eu conhecia pessoalmente o nada afortunado que resolveu me ''aguentar''. Um anjo. Isso eu não posso negar. Atravessamos oito meses sem nos ver, e cara, como doeu. Dói bastante você querer alguém aí, do teu lado. Com as mãos nas suas costas, a respiração no teu pescoço, os dedos no teu cabelo... Dói, dói muito. E de tanto doer, tem hora que as coisas tem que acabar. E ainda assim dói. Claro que dói. Já viu ferida em carne viva não doer? Bom, eu não. E olha, de feridas em carne viva, joelhos abertos, rasgos nas pernas, braços expostos, e corações partido, eu entendo. Talvez eu entenda melhor do que jamais quis, ou pior do que eu deveria. Mas tenho um conhecimento medíocre sobre essas coisas, essas questões da vida. Principalmente, se aquelas quatro letrinhas estiverem metidas no meio. O que não é surpresa alguma para ninguém. Acho que até mesmo Platão, Shakespeare e tantos outros sofreram muito com isso. Maldição mitológica por péssimo comportamento ancestral, seu ta-ta-ta-ta-tataravô foi uma péssima pessoa e as próximas vinte gerações foram amaldiçoadas. Porque não? Nunca vi nada comprovando a existência de nenhuma divindade. Nem descomprovando. Busco algo novo. Nem que seja uma palavra nova. Não gosto de coisas pré-definidas. Se nossas coisas já são pré-definidas porque escolhemos caminhos, pessoas, lugares? Não daria tudo na mesma? Não, aqui não. Nada acontece por acaso. Admito isso em alto e bom som. Ainda não ouviu? Pensa bem vai, logo você ouve, entende, compreende, reflete. E quem sabe, até me apoia nessa ideia louca de tentar entender-não-entendo as coisas. Merda, a filosofia anda me possuindo.
Dói, mas para variar um pouco, passa. Ou pelo menos alguma outra porcaria surge na sua vida e te faz mudar de foco. Acho mudança de foco outra coisa complicada. Você dispensa a atenção de algo que pode ser muito mais importante, para uma outra não tão importante assim. Acho que é aí que as feridas cicatrizam. Ou pelo menos, começam, tentam. Não acredito no definitivo. Tudo tem volta. Quase tudo. Sentimentos as vezes são enterrados, corroídos pelos vermes, porque era ali que eles deviam ficar. Ou foi ali o lugar que o destino reservou para eles. Nesse caso, o fim é claro e definitivo. Nada pode mudar.
Então, um brinde as mudanças de foco. E que seja assim para sempre. Porque parar de sentir, a gente não para. A gente só esconde, muito bem escondido. Dói menos. Tanto faz, essa coisa de doer anda me cansando demais. Dor é uma coisa tão obsoleta, tão ultrapassada. Mas fazer o que, é o que temos para hoje.
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