quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

É sobre as estrelas.


Eram duros e impassíveis, feito duas esmeraldas. Batiam e voltavam nas minhas duas pupilas cor de mel. Ninguém nem ao menos considerava desviar o olhar, como se fosse algo extremamente necessário em nossa vida. Naquele momento, para você. Em todos os outros, para mim. Meu coração parou no peito quando meu olhar cruzou o teu. Congelando no momento, estagnando no instante. Meu peito parecia picadeiro de circo, meu coração o malabarista sob o teu apito mandão. E eu no picadeiro, só olhando todo o espetáculo. Mas não naquela esquina. Não naquele dia, de algarismos iguais, e no mês de números diferentes. Ninguém falava nada, ninguém esboçava nenhuma reação. Era eu te encarando, e você me observando. Impassíveis. Quase como se gravando aqueles segundos. Quase senti teus olhos rasgando meu rosto, abrindo meu peito com vontade contida, que ganhou vida e saiu no mundo. Gritando. Me senti invadida por ti o resto do dia, quase como se naqueles poucos momentos você tivesse entrado dentro da minha mente e controlasse tudo por ali. Ou dentro da minha alma. Outra vez. Me exaurindo com mais uma brincadeira de pique-e-pega. Onze meses e quatro dias depois. E hoje ainda soube que esteve no nosso lugar. E há pouco. Me perdoe, mas tenho que dizer: era mais belo antes. Ou estava mais belo naquela fatídica noite. Onde tudo aconteceu. Onde tudo começou. E onde tudo se deu fim. Rápido, intenso, forte. Marcante a amaldiçoador. Perseguidora noite das minhas noites sem sono, sem sonho, só com teu fantasma vagueando nos meus pensamentos mais obscuros, mais íntimos, mais secretos. E toda a essência da minha alma querendo te materializar do meu lado, num piscar de olhar, nem que fosse por um momento estúpido e chulo. Mas sentir teu cheiro de novo. Olhar no teus olhos e tocar teu rosto. Como já fiz tantas milhares de vezes. Umas mil imaginárias. E outras mil e duas reais. Sentir teus lábios formando um sorriso, por menor que seja, para mim... não há dinheiro, jóias, preciosidades no mundo que pague isso. Nada vai poder te trazer de volta. Eu estou presa à minha própria fortaleza, com um pulso atado e um pulso livremente vagueante. Um olho em você, e outro na vida. Um no meu gato, e outro em meus peixes. Um querendo vingar do outro. Matando aos poucos. E a idiota apaziguadora aqui, mantendo os ânimos acalmados. Acalmando gato. Acalmando peixe. Me convencendo de que posso acalmar algo nos dias que se correm por aí. Eu ainda me forço a acreditar que ainda há algo salvador nessa história toda, algo pelo qual valha a pena lutar, esfolar os dedos em nós tolos para soltar meus pulsos das amarras estúpidas nas quais eu me prendi. Eu daria a vida para descobrir o que eu penso tanto que pode salvar. Entender o real significado de umas e outras tardes à esmo por aí, de umas poucas noites, na época em que as estrelas sorriam e sussurravam para mim: claras e nítidas, palavras sem significados subjetivos. Suas mãos passando na minha cintura, envolta pelo vestido. Paradas no passador de cinto da minha calça, afagando minhas costas.... E de novo, seu sorriso sorrindo pra mim. Aquele sorriso de lado, misterioso, que eu não entendo. Oblíquo e dissimulado. Meus olhos são oblíquos. São dissimulados. São oblíquos. Até nisso tu me copias... Teu sorriso combina com meu olhar. Tuas manias imaturas combinam com as minhas. Sabe bem de tudo. Sabe o tamanho do teu reflexo em mim, e o tamanho do meu reflexo em ti. Foram inevitáveis os pensamentos de que outra havia ido parar em teus braços no nosso canto. Mas algo diz, no fundo do meu peito estraçalhado pelas duas mãos firmes, que eu bati forte na tua cabeça nesses dias. Algo diz que não tenho passado batida por ti. Não sabes o quanto isso machuca. Dói fundo. Preferia passar batido e fingir, com reciprocidade, que não te conheço. Parar com esses olhares duros e partidores de corações, que deixam a alma aflita, querendo sair do corpo. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

e.m.a

"amiga, engraçada, feliz, companheira, conselheira, linda, e histérica". Era essa a definição que você dava pra mim. Ainda lembra? É, eu lembro. E sim, por mais incrível que seja, isso ainda dói fundo na minha alma. Já tem mais de dois anos desde que você me disse isso. E eu ainda não tirei da cabeça. Por isso e tantas outras coisas com uma suposta importância banal é que ainda me prendem ao que nós éramos. Me prendem em quem você costumava ser. Você tinha um brilho próprio, e meu mundo ficava, ainda, mais azul do ele já era. E você não esqueceu, nunca, nem por um minuto idiota que essa era minha cor favorita. E agora, eu lembrei de quando você veio, saltitante e com um enorme sorriso no rosto, na minha direção. Na direção da pessoa mais importante da sua vida, me contando que havia escolhido uma das cores. Era azul. A minha cor. E escolheu porque sabia que eu iria adorar. 
É bizarro ver o quanto as pessoas mudam de um ano para o outro, ver o quanto as importâncias diminuem. E quantas cicatrizes profundas marcam nossa alma. Mas eu ainda penso que o mais bizarro é que você nunca realmente se vai. Nunca se foi. Nós apenas tiramos férias da nossa relação complicada, e completa de ódio e de amor. Completamente lotada da gente. Sim, eu ainda acredito que você se importa. Mas se importa em algum lugar muito distante na sua alma, onde quem você costumava ser ainda existe. Não esse ser no qual você se tornou. Ainda mais agora.. É sempre nessa época que você se torna ainda mais presente pra mim, ainda que esteja terrivelmente distante. Mas nessa época do ano, todo e qualquer tipo de lembrança nossa salta em cima de mim, e me afogo nelas. Mesmo sem a minha prévia permissão para que essa invasão cruel aconteça. Ela simplesmente... volta. Todos os anos. Talvez seja simplesmente por que não exista um simples ano no qual nós não brigamos, ou nos odiamos por algum espaço de tempo, ainda que curto, ainda que longo. Mas dessa vez, a vida pesou na minha. E fez essa discórdia parecer uma morte na família. Sim. Você sempre foi família. E sempre vai ser. Família, você me dizia por tantas e tantas vezes, a gente não escolhe. E é verdade.
Mas tem doído. A minha dor dói, meu ódio dói, minha mágoa dói. E todos dizendo que nada disso compensa, já que eu sempre soube o que me esperava em algum momento. E talvez essa seja a pior parte de todas: saber o que me esperava, sempre. Mas eu sempre te conheci. E ninguém nos conhece tão bem quanto a gente. O que soa até mesmo bizarro, porque ainda hoje... eu sei que não acabou. É que mesmo com todas as nossas idiotices espalhadas por esses caminhos árduos, e traçados pelos nossos andares ébrios, nossos erros nos trouxeram aonde chegamos. E ainda vamos longe. Afinal, eu ainda lembro de como você assina as melhores coisas que eu já ganhei de você: EMA. 


domingo, 14 de outubro de 2012

Imutavelmente adorável


E sei lá... meio que fez sentido essa sua paixão por coisas pela metade, depois de hoje. Eu entendi o charme que essa vida toda tem. O que você vê nisso. E logo que eu entendi, eu quis virar pro lado e falar com você. Te contar, ouvir você rindo da minha cara, tirando uma da minha ingenuidade no assunto e me explicando tudo. Calmo, daquele teu jeito que finge que ficou irritado com a minha lerdeza mas que nunca deixa de ser calmo. Mas você não tava do meu lado. Você não tá do meu lado já tem muitos meses. E parece que depois que você saiu, saiu uma parte de mim também. Eu fiquei pela metade. Assim como essas coisas que você gosta, tão soltas, tão frágeis por aí. Sei lá... me peguei pensando se assim você ia gostar mais de mim. Faz tempo que você vem gostando menos de mim. Eu sei, você sabe. Todo mundo sabe disso. É que hoje me deu uma saudade grande daquela noite em que você tava comigo, no sofá. Do meu lado. E eu tava no seu pé, por que queria que você me mostrasse alguma coisa idiota. E você foi ficando irritado. Até que me mostrou uma coisinha de nada, quase sem significado. Lembra disso? Provavelmente, não. Você sempre disse que a minha memória que era boa, e não a sua. Mentira né. Você vive implicando comigo, dizendo que lembra de mais coisa do que eu. Mesmo sabendo que é mentira. Porque tudo pra gente é mentira. As verdades a gente não conta, a gente esconde. Nossa verdade é subentendida, fica só pra gente. Assim como o que a gente guarda só pra nós dois. É que é raro, entende? Claro que entende. Você entende tudo o que é meu, e que ninguém mais entende. Mas aí você vai me mostrando milhares de coisas banais, até me mostrar uma realmente marcante. Uma que é você, ali, traduzido em cada detalhe. Em cada parte. E depois você pede uma coisa minha. E eu te mostro a minha alma traduzida. E você vem me dando palpite, me mostra onde cada mudança deve ocorrer... E me muda, assim, discretamente. Nós dois somos assim, eu sou assim, você é assim. Discretos quando o assunto é a gente. Vindo de nós dois, ninguém duvida de nada. Nem do estranho laço que se formou entre nós dois.
Mas aí você volta. Assim, com aquele teu jeito de quem sabe bem porque tá voltando, e que sabe bem quando. A a conversa flui como se nada tivesse mudado. Você veio logo rindo da minha cara, tirando uma da minha ingenuidade, e me explicando tudo. Com a calma que eu sei que você tem só comigo. A calma que eu tenho contigo quando mistura a tristeza de você já não estar do meu lado há muitos meses. Eu quase nem lembro mais do tom da sua voz. Seu cheiro minha memoria não recorda. Mas eu lembro do seu jeito. Isso não muda. Acho que é por isso que eu gosto tanto da gente.
A gente não muda. Nunca.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Baía de letras.


Vai. Respira fundo, fecha os olhos e se joga. Deixa a emoção entrar de novo na tua alma. Mais um suspiro pesado, e o barulho da caneta seco batendo contra a mesa, “droga, acho que esqueci como se escreve”. E aí eu percebo que posso perder tudo, menos a magia da minha mão deslizando por sobre o papel, rabiscando frases harmônicas feitas na hora, sem formação prévia. É que finalmente entendi que coração de pedra e alma de gelo não combinam comigo. O meu jeito é sentir o sangue pulsando nas veias, a cabeça rodando por causa de uma avalanche de pensamentos, sentimentos, emoções. Mergulhar de cabeça num poço raso, deixando meu crânio rachar... E dar espaço ao sorriso que se forma em meu rosto a cada nova queda. Ser incoerente é sinônimo de ser feliz.
Só escrevo na queda. Ou quando assumo minha natureza emotiva. As palavras somem, correm desgovernadas, cada vez que eu esqueço de onde vim. É quase como se eu fugisse da minha essência. E os prejuízos são, no mínimo, enormes. A cada fuga, há um novo rombo na minha essência. Futuramente cicatrizado. Eternamente marcado.
Na verdade, eu cansei de fugir. Existe uma necessidade enorme de entrega para as coisas novas, habitando meu corpo. Preciso ser imprudente, impulsiva... Feliz.
E achei isso de novo. Um outro porto não conhecido no qual eu ainda vou tentar (pela milésima vez) atracar meu navio de guerra, cair na baía com um barco tímido... E quem sabe, finalmente, lançar âncora na praia dessa ilha de sorrisos de lado, com uma falsa ideia de deboche.
As lendas rezam que há um vulcão no coração dessa ilha. Um vulcão cheio de segredos. Fora de atividade há meses. Esperando a pessoa certa para explorá-lo e causar a explosão tão aguardada. E é para ali que eu vou, para o coração do vulcão de olhos de uma cor segregada, misteriosa. Lutar contra todas as barreiras de guarda, algumas fortemente armadas. Procurar atalhos. Abrir matas. Desbravar novas trilhas. E, quem sabe, poder alcançar a fruta rara, de sabor afrodisíaco que vive acima do vulcão, e talvez provar o efeito místico que ela causa nas pessoas. E ainda mais místico quando a vítima inocente carrega meu nome e meu sobrenome. Talvez seja letal. Uma mordida é morte rápida, feito tiro. Talvez seja veneno lento, que mata aos poucos quem morde a fruta suculenta.
Ou talvez cause mal algum. A fruta, quem sabe?, eleva o espírito da gente até um patamar inigualável. Transformando de dentro pra fora. Alma, mente, coração, corpo. Espírito e matéria trabalhando em perfeita harmonia.
Dentre esses tantos fatos incertos, há uma única certeza sobre essa fruta: covardes não a comem. Se alguém chegou ao vulcão, era proprietário de uma coragem extrema. A maior virtude que alguém pode ter. Coragem em desbravar algo desconhecido. Não adianta de nada consultar precedentes: os eventos nunca se repetem. Um raio não cai duas vezes num mesmo lugar. Porém, coragem mesmo tem quem come a fruta e desperta o coração do vulcão. Resistente já há meses. Anos, rezam alguns anciões tribais. Mas, quem diz a verdade? Quem garante que não houve nenhuma pequena, e imperceptível, explosão? O núcleo pode narrar esse conto sem fadas. Nós, não. Tão menos os covardes.
Mas eu quero ser capaz de atiçar a lava, sentir o magma me tragando pra dentro de um calor infernal, dantesco. Quero sentir o calor do qual eu sempre fui privada. Do qual eu sempre me privei.
Quero poder voltar a cair de montes altíssimos, me afogar em mares turbulentos. Achar que a vida se esvaiu da minha alma.... E então sentir uma nova lufada de oxigênio entrar nos meus pulmões. E abrir os olhos, deslumbrada com as luzes já infinitamente vistas, mas cada vez mais lindas.
E renascer. A cada novo ano. Passar por tantos aniversários fúnebres, tantas vezes ao longo do ano. Celebrar algumas mortes e prantear outras. Mas, em hipótese alguma, deixar que os fantasmas vivos-não-mortos voltem a me assombrar. E poder voltar a correr a caneta, tranquilamente, pela folha pálida, vendo as curvas alheias darem formas às letras, formando palavras.
E é assim que eu venho seguindo e sempre seguirei. Com uma ou outra parada em algum hotel, para ver se essa história de 100% racionalidade me atrai... Testando para ver se minha estrada de emoções me cansou. Às vezes, fico algum tempo mais longo. Mas sempre volto à rodovia. Essa vida de indecisão, queda, impulsos, e muitos, mas muitos, sentimentos, é o que me reflete. Por isso, fujo da hospedaria com quase nada na bagagem. E na estrada eu me reconstruo, para perder tudo depois. E é assim que eu vou. Vivo para amar. Amo para viver. Escrever, com todas as nuances periódicas, é o que melhor me define. É o que me representa. É minha essência. Começo. Meio. Fim.
Amo para escrever.
Escrevo para amar.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Outubro - 2011
Eu ainda continuo com essa minha maldita mania de querer ser feliz. Já entendi, vida, não precisa mais lançar isso na minha cara. Eu encontrei alguém, uma pessoa que parecia diferente, num fim de semana perdido entre tantos outros, recentemente. Projetei ali o que eu sonhava. Os braços na minha cintura já não tão delineada. As pequenas mordidas no lábio inferior. O brilho nos olhos e o cheiro na roupa. Projetei o que eu quero que seja. Quero alguém que seja meu, alguém de quem eu seja. Casos de uma noite me exauriram, cansei de passar rápido, quero permanecer.
Talvez eu ainda tenha que desbravar uma selva lotada de tabus idiotas. Beber até não lembrar meu nome, cair com meus lábios em lábios de uns quaisquer. Um tempo fora. E nenhum traço de amor. Nenhum amor. Sacudir a cabeça e recolocar juízo dentro dela. Lembrar que amor eterno, ou não, e felicidade plena, são puras ilusões de filminhos hollywoodianos. Não é nada real. Afinal, eles só querem as vadias. As ébrias perdidas no mundo, com o andar trançado, sonso. Aquelas com o vestido mostrando o hímen, e o decote no umbigo. O cabelo batendo na cintura, a franja nos olhos, escondidos por debaixo dela, traçados de preto. Olhando, malandros, para o mais novo alvo escolhido. É uma fórmula infalível. Ninguém escapa.
A saudade aperta forte no peito, e na alma, quando vem na mente aquele tempo... Não tão distante assim. Mas as coisas eram conseguidas de tênis, jeans e camisetas. Sem essa pré-determinação do que é ou não sexy. Havia sucesso. Um sucesso grande. A mancha da história assombra meus dedos. São marcas permanentes de culpa e punição. Foram infinitas noites marotas trocadas por um sofá e um filme romântico idiota, cercada de amigos lights, calmos. Mas a ladeira da vida deixada não é suave. E eu rolei por ela. Rolei como se tivesse caído dum skate. Caí feio. Rolei inteira. E quando cheguei ao chão, do outro lado, tava machucada... Bem machucada. Esfolada. Quebrada. Moída. Partida. Partida em tantos pedaços que não era mais considerável subir sorrindo, ou ao menos subir novamente. Hora de abaixar a cabeça e assumir, para todos, a verdade desgastada.
Existe a destinação à queda, marcada no meu corpo claro, tristemente profundo. Meio pi e eu estou ali. De novo. Meia circunferência. 180º graus. O bastante para que eu beije o chão outra vez. O vício na dor é uma coisa que me preocupa. Assim como as minhas lágrimas salgadas rasgando caminho por entre meu rosto. De forma ácida e cortante, marcando seu trajeto desde meu olho até meu queixo, quando caem para o vale da morte do vazio tão vazio quanto o resto do mundo.
Houveram muitas noites em que eu chorei. Afinal, a cara afundada no travesseiro deve ser para alguma coisa.. Afundava ali e deixava tudo vazar, com a esperança de que algum dia as coisas se acertem da forma correta, dentro dos conformes. Mas você me veio na cabeça na última noite. Você e o teu sorriso lateralizado, bobo, procurando pelo meu.
As estrelas tem me contado que eu vou achar um amor, uma coisa nova dessa vez. E que ele vai surgir de dentro das pessoas que eu conheço. Tudo me leva até você. É claro. Mas sou virginiana, carente por natureza, buscadora da menor e mais verdadeira atenção, não engulo a história de uma noite e nunca mais. Eu vi nós dois acontecendo. Eu senti teus braços, teus lábios, antes de você surgir. Eu sempre soube o que aconteceria naquela noite tão distante. Sabia o que aconteceria, forcei o destino a te trazer aqui. Mandei nele, feito menina mimada. E ele me trouxe você.
Eu larguei tudo naquela noite, feito espumas ao vento. Precipitei-me, é verdade. Mas você era completamente corpo e alma comigo naquela noite, eu não enxerguei metade tua perambulando pelo salão. Não sou da filosofia de "coisa de momento" quando o momento inclui você. Assumamos, você me dá "raiva passageira" mas "o amor deixa marcas que não dá para apagar...". E você marcou fundo. E agora, esse céu de Outubro já não é tão mais estrelado quanto era naquele mês, naquela noite. Nunca vai ser. Tinham duas estrelas, naquela noite, de olho em mim. Essas duas estrelas, meu amor, eram seus olhos.
E agora, elas fogem de mim feito diabo foge da cruz. Mas eu ainda capturo esses dois brilhos fugitivos. Pego e coloco dentro de um vidro. Só pra ter um pouco de ti. Porque, de mim, amor, você já teve tudo. E ainda tem.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Foi o que sobrou.


Você nunca teve coragem.  Tudo em você sussurra sobre coragem. Teu jeito é corajoso. Mas teu corpo é medroso, assustado. Você não teve coragem em nenhuma das vezes em que eu fui valente por acreditar em você, acreditar que, algum dia, você ia largar da tua covardia e virar homem ao menos uma vez na vida. Mas não foi. Você não se tornou o homem que devia, quando poderia. E agora, nunca será. Teu jeito já não tem a mesma eficiência em me conter, me prender junto de você. Você não teve peito o suficiente para dizer sim para  a mais remota convivência comigo. Teve de manter sua pose de inabalável, mas que despenca com um afago na nuca. Eu já fui muito pisada pela tua covardia e vontade de manter a pose. Agora me sinto no direito e dever de te julgar. Você  já não é mais útil, nem mesmo agradável na minha vida. Eu nunca fui, nem serei a escolhida por você. Eu não te favoreço. Você nunca será aquele que vai me encontrar jogada num sofá, lendo um livro qualquer. Eu nunca vou ser lida por você.  Eu sou apenas aquela que você deseja jogar debaixo da terra, mesmo enquanto respira, aquela que sumiu da sua vida sendo presente. Eu sou teu pesadelo mais fantástico. A fera que causou a ferida que vai doer fundo na sua alma. No seu coração. E o tempo vai passar. Mas, por mais tardio que seja, você vai se manter em silencio. Quieto. Tentando entender qual foi o erro cometido para que as coisas tenham tomado o rumo que tomaram.  Você vai querer se esconder do mundo. Vai se trancar dentro do teu mundo solitário. E nesse mundo, você nunca vai conhecer minha mania comer apenas usando talheres da mesma cor. De preferir panos de prato, ao invés de guardanapos, para limpar as mãos. Você nunca teve coragem. E no meio desse seu medo, acha que todos te entendem. Menos você mesmo.  Eu poderia ter te compreendido. Na realidade, eu te compreendi sem você me pedir, eu te compreendi escondida. Quieta, no silencio da vida que você comeu feito leão caçando uma gazela. Feroz. Eu compreendi essa tua falta de coragem de encarar o mundo. Você não quer mudar, prefere fugir. Corre gazela, corre. Corre logo. Corre rápido. Antes que o leão te pegue. Se é do teu interesse, gazela, eu vou te dar uma dica bem valiosa. Quando a sua dor surgir, pensa que foi essa dor que eu senti. Assim, sua dor vai ter sentido.  Eu cansei de ouvir o teu discurso de quem confunde intensidade com tempo. Não faz sentido. Mas também não faz sentido eu confundir afeto com amor.  Mas assim como eu tenho os meus, você tem os seus motivos para confundir isso tudo.  Você não deixou claro que não tinha escolha. Mas também não deixou claro que tinha. A verdade é que você nunca teve escolha quando se tratava de mim. Eu não me sinto mais a vitima. Eu parei de ter dó de mim por estar sem você. O injustiçado nessa história é você. Você quem me perdeu. Eu te tive. Ainda que num lugar imaginário, mas eu te tive para mim. Sei como é a sensação, e a dor que isso tudo causa. Mas você nunca me teve. Nunca vai me ter. Não vai saber nunca como é me ter na sua vida, no seu mundo. Você recebeu tratamento diferente da vida. Viveu um pouco, e foi dormir. Engoliu palavras, atitudes e memórias para cair no sono. Você cedeu. Eu cedi. Eu nunca vou carregar nada seu na minha vida. Você nunca vai poder esperar que eu carregue nada seu. Você não vai carregar nada meu. No futuro, sua vida toda vai esperar por algo que ficou para trás. Num momento bem distante do qual você vai estar vivendo.  Vai estar na memória, exatamente onde seu corpo, a sua verdadeira alma vai estar: presos no passado. Você não será capaz de voltar atrás. Você vai estar morto quando deveria estar vivendo de verdade. Mas seu peito vai ter um buraco grande demais que você mesmo não será capaz de compreender.  Você não teve coragem. Com o teu carinho translúcido. Sua falta de colhões para encarar a vida. Sua incapacidade de mostrar humildade em algo. Você nunca aprendeu a esconder o que sentia. Nem aprendeu a mostrar a verdade. Seu mistério é pobre. Assim como você.  Quando as suas noites forem mais escuras do que o mundo, quando estiver mais frio do que você, eu não vou estar ao seu lado. Quente e acesa. Quando seu dia estiver de um calor insuportável, e com o sol batendo diretamente nos teus olhos fracos, eu não vou estar do seu lado. Fria e sombria. Você nunca mexeu uma palha para me confrontar. Sempre deixou tudo passar em branco. Sempre foi covarde. Não vai ser agora que vai ganhar coragem de vir me bater na cara, exigindo explicações chulas e baratas. Você era o mais belo que não tinha coragem de nada, que já existiu na minha vida. O que mais me doeu, o que menos me doou. Eu quase fui capaz de amar sua falta de coragem. Quase. Mas foi isso que restou de você em mim: a falta de coragem de encarar a vida. 

domingo, 6 de maio de 2012

Faziam meses que ele não aparecia em lugar algum, e eu já nem esperava. Quando ele resolve sumir, some mesmo. Desaparece sem deixar traços para trás. Desvanece. Essa insanidade dele me deixou acostumada a não esperar mais. Mas ele sempre volta. E voltou outra vez. Já chegou elogiando a foto, "bonita a foto". E depois de vinte e dois meses, eu sabia as palavras. Secas, diretas. "Obrigada." O problema todo, é que ele faz falta. Aquele jeito fétido dele de encarar o mundo, de me encarar, faz falta. Não contive um sincero e receoso "quanto tempo né.". Respondido por um resumo breve da vida dele. Nada mudado no último ano. Continuam as mesmas manias idiotas, os mesmos hábitos nojentos, repulsivos. E ele, mais amargo do que antes. Se é que é possível. Naturalmente, a briga quase estourou inúmeras vezes. Como sempre aconteceu, acontece e vai acontecer enquanto um voltar para a vida do outro esporadicamente. E de repente, eu já havia ocupado o posto destinado à mim, por ele: o de vilã. Sou perversa demais para não ter sido a causadora de todos os problemas da vida dele. Não a pequena e frágil mente que habita abaixo daqueles cabelos constantemente coloridos. Mas ele não se importa, nunca se importou. A lei válida é a dele, desde os princípios dessa relação ridícula. Afinal, eu sou complexada, não? Cheia de traumas incuráveis. Palavras sábias do nosso doce rapaz.
Um continha o outro, irritado. Um fato inovador. Sempre fomos tão fogo e gasolina. Explodindo em ofensas a cada instante. Sabendo onde ferir fundo o outro. Sempre fomos, sempre seremos. Ele é a pior doença de todas. Volta sempre, quando não há mais lembranças. Uma vida totalmente nova, o número do celular deletado da memória, as conversas salvas em algum arquivo tão antiguado quanto a própria vida. Mas volta. Chega com aquele jeito, quase soando arrependido, doce outra vez. Escondendo o veneno debaixo das frases cínicas, tão características do mesmo.
Conversamos por algumas horas, ele sempre retornando o passado, há muito tempo enterrado por mim. "Três anos atrás não mudarão nada, entenda", cansei de repetir. E a insistência ali, marcação acirrada. E então, o tão escutado pedido: outra vez negado. Um não claro, como tantos outros. A ironia, o sarcasmo, a irritação, descaso. A face sem a máscara trabalhada. Só a carniça do animal podre, sem toda a carcaça que recobre o lado podre disso tudo. Dessa história torta, que nunca deveria ter tido início. Mesmo que há mil dias atrás. Um erro na vida, um desvio acidental do destino. E o fim.
"Apesar de tudo, foi bom falar contigo. Vê se tenta não errar tanto. E se cuida." Claro, eu sempre tentei colocar algo útil dentro daquela pele perfurada por tantos pinos. Operações infinitamente falhas. Nenhuma com sucesso. E ouvia dos amigos "ele te escuta, finge que não, mas escuta.". Tolos. Esse é vazio demais para ouvir qualquer coisa senão sua própria voz. Ver sua própria pele, sentir sua própria desgraça. "Passar bem". Seco, reto, duro. Exatamente como eu havia sido, lá no início. Uma guarda minha que nunca deveria ter sido posta para baixo. O jogo termina de igual para igual. Acarretando mais um empate. O último, de tantos, quem sabe. Afinal, a merda toda foi causada pelos dois. Ninguém faz nada sozinho. Nem desgraçar a vida do outro. O fim.
"Pode deixar, querido".

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Não, eu não tenho cabelos compridos, olhos azuis nem sou branquinha, branquinha. Não sou magra, e nem rica. Vou mal em matemática, e tenho jeito de durona. Me irrito fácil, e detesto quando as coisas não saem do meu jeito. Ainda tenho meus bichinhos de pelúcia, vejo desenho, e me sujo com massa de bolo de chocolate. Tenho os cotovelos machucados, e os joelhos cheios de cicatrizes. Meu cabelo é enrolado, eu uso óculos e aparelho. Espirro quando o tempo muda muito rápido, e não como verdura. Sou ciumenta e não gosto que as pessoas fiquem perto demais de quem eu gosto.Vivo lendo, no celular, revistas, rótulos de shampoo, e pacote de bolacha. Passo o dia todo de fone de ouvido, ignorando tudo o que está a minha volta. Mas eu gosto de viajar, cozinhar e de gatos. Eu não gosto do seu time. Mas posso fazer pipoca e bolo de chocolate pra você quando ele for jogar. E eu não gosto de todos os estilos que você ouve, mas não vou te chamar de maconheiro, quando estiver falando sério. Eu vou rir, falar que você é idiota e morder sua bochecha.  Posso até aprender a jogar vídeo-game, se você topar fazer trilhas comigo de vez em quando. E eu sei controlar minha mania de querer roubar alguém pra mim, sem ninguém perceber, se eu encontrar um bilhete bobo em cima da mesa, ou um sorriso aberto, do nada. Eu até abaixo o volume do fone, sem você perceber, pra te ouvir melhor. Eu vou fingir que estou muito concentrada no meu livro ou em qualquer assunto idiota quando você estiver por perto, pra ninguém notar que eu só presto atenção em você. Eu tenho cara de nojenta, metida, arrogante. Mas sou simpática, fofa, e engraçada com quem merece. Não entendo muito de números... só que escrevo e entendo textos muito bem. Dou risada de brincadeiras bobas e não consigo falar a verdade sem rir, se tem alguém olhando fixo pra mim. Como carne, lanche, batata frita, como chiclete e tomo refrigerante. Mas até posso aprender a cozinhar um ou outro legume, uma ou outra verdura, só não experimento. O cheiro me dá dor de cabeça. Cozinho verdura, se você assistir comédia romântica comigo sem rir da minha cara de boba chorona. Não ligo se você tem cara de chato, ou se você é grosso. Se você não for grosso comigo, tá tudo bem. Eu não ligo para o que as pessoas pensam, elas não entendem. Entendem?

domingo, 8 de abril de 2012

Você perdeu. Caiu em um mundo solitário e sem luz, num lugar onde ninguém mais está disposto a te ajudar. Com todos os teus erros ridículos e com esse ar de quem sabe de tudo. Você não sabe nada, absolutamente nada. Você não tem ninguém que lhe preze a companhia. Abre esses teus olhos podres, criança, olha o mundo a sua volta. Alguém é infeliz sem você por perto? Você faz falta na vida de alguém? Não. Ninguém te anseia em lugar algum, seu prazo de validade está expirado tem bastante tempo. Mas as pessoas são idiotas e eu acredito em pessoas mudadas. Acreditei demais em você e nessa tua lábia suja de quem não sabia o que fazia mas achava que tinha a certeza de tudo. A certeza de cada respiração que cada babaca que acreditava em você dava ao teu lado. Acorda pra vida, meu bem. Você azedou as relações quando começou a querer fazer parte de tudo, entrar no mundo de todos. De pensar que é bem-vindo em todos os lugar. Sorrisos não dizem nada, as pessoas sorriem para quem elas odeiam. Você, anjo falso, é um exemplo típico e extremamente verdadeiro de pessoa que parece valer absolutamente tudo. Um alguém com quem esforços não deveriam ser medidos, a alma mais nobre do lugar. Mas as aparências enganam, e as pessoas se mostram quem elas realmente são. Você engana tudo, engana todos. Seu jeito desprezível contamina cada parte de cada ser que lhe cerca. Você tem ácido tóxico exalando do teu corpo nojento. Teu sangue não vale nada. Você é especialista em quebrar promessas, ferir sentimentos e voltar atrás das tuas palavras. Você é podre. Eu tenho completo e total nojo de dizer que algum dia eu olhei para você e enxerguei alguém bom nos teus olhos. Eu era tão ingênua, acreditava na primeira coisa que me contavam, na primeira mão que levantavam para mim. Essa fase acabou. E agora, meu bem, tudo o que eu sinto por você é repulsa, desprezo e vergonha. Vê se some da minha vida de uma vez por todas, e arruma outra vida pra desgraçar. Dessa vez, de alguém que mereça.

quarta-feira, 14 de março de 2012


Me apaixonei por você desde aquele fim de tarde em meio a nossa selva de concreto sem vida. Naquele dia de semana, naquele momento parado. Seis horas da tarde. Meio do ano, as vésperas do dia dos namorados. Ironia não? Eu ter sido rendida perto da data tão odiada por mim. Mas ainda assim, nunca precisei de muito para saber que você refletia todos meus desejos mais profundos e mais bonitos. Saído dos meus sonhos. Meu sonho melhorado, e extremamente piorado. Teus traços desenhados pelas mãos de um habilidoso escultor, talhado diretamente na carne, sem esboços. O traço definitivo. Tão finos, tão fundos. O mesmo pobre escultor não foi quem traçou tua personalidade, tão cheia de curvas, tão íngreme. Você alegra meu dia, o pinta das mais belas cores. Ou simplesmente o transforma em um cinza chuva, tão triste, tão escuro e tão profundo...
Me dei conta do quão profundo era o que você havia criado em mim, ali na frente daquele portão da minha cor favorita. Você gritava coisas sem nexo ao meu lado, e me sorria ao final de cada frase ridiculamente dita. Eu gostei daquilo. Era tão você.... era tão nós. O inicio de tudo se deu ali, naquele fim de tarde. O crepúsculo. O maior divisor de águas, sentimentos e pessoas que surgiu em minha vida nesse ano. Você me marcou fundo, como se fosse ferro em brasa. Entrou na minha pele, atravessou meus ossos e alcançou minha alma, se imprimindo ali. Você me marca cada vez mais fundo, não deixa criar a menor quantidade de plaquetas em cima do meu ferimento, e já me volta, sorrindo aquele teu sorriso lindo, me cortando e me fazendo sofrer com a tua ausência presente. Cada vez que penso que estou em paz, que dessa vez tudo vai se acertar, que não há motivos para ser assombrada de novo... você me surge com esse teu olhar fundo, indecifrável. Passa tuas mãos na minha cintura e cheira meu pescoço, roça de leve tua bochecha na minha, e me faz esquecer o que realmente quer dizer viver para si mesmo. Não quero viver sem você cada vez que você me toca, me olha. Quero te prender e te manter comigo, eternamente.
Tenho vontade de te amarrar com laço e fita, embrulhar teu corpo dentro de um papel de presente, te mandar pra mim. Um amor inteiro, na integra. Com tudo para ser completo, nada de retalhos, farelos e migalhas. Te desembrulhar e colocar numa redoma de vidro, só eu te acesso, só eu te toco. Só meu.
Talvez eu precise parar de sonhar com você, amores impossíveis e imperfeitos saturam a sanidade depois de um período lotado deles. Mas... eu não quero te largar, eu não suportaria de deixar ir. Você é moldado para mim, ou isso é o que parece. Penso em te encontrar por aí, numa cafeteria ou numa banca de jornal numa esquina qualquer. Paro em todos os lugares, outdoors, placas, até a faixa de pedestres me olha com esse teu olhar instigante. Ainda alimento a esperança de que um dia você vai se dar conta de tudo, e correrá para mim. Me pegará desprevenida, surgirá na minha vida quando eu estiver no meio de um chocolate quente com vodka, para ajudar a afastar o frio cortante. Frio interno, frio externo. Competição, não há como saber qual lugar fica mais gelado. Meu peito com um coração de gelo, ou o mundo com um vento gelado. E no meio de uma tarde dessas, cinza, você vai me surgir. Sorrindo e correndo, esbaforido. Olhará nos meus olhos e nada dirá, porque não preciso ouvir sua voz. Seus olhos me dizem tudo o que preciso e que desejo ouvir da tua boca macia. Vai segurar minha nuca e nada, nada, nada lhe fará desviar o olhar dos meus olhos de cor indefinida. Eu te quero, eu te preciso, eu te detesto, eu te odeio, eu te amo.
Talvez se você não fosse tão orgulhoso, e se eu não fosse tão histérica nós não teríamos ido. Se eu não fosse tão cismada e você tão alheio nós não teríamos nem começado. Se eu não fosse tão destemida e você tão acomodado, nós não teríamos nem acontecido. Se eu não fosse tão insistente e você tão hormonal, não teríamos nem permanecido. Não consigo me lembrar de nenhuma crise minha que não tenha sido causada pela sua loucura. E não consigo lembrar de nenhuma loucura sua que não tenha sido causada pelas minhas crises. E talvez se eu não fosse tão descontrolada e cismada, você ainda estaria comigo. Eu não te acho acomodado, hormonal e nem louco. Um pouco orgulhoso. E esse teu orgulho todo drena todas minhas teorias sobre teu comportamento tão instável... Sobre sua frieza tão inexplicável, e seu grito ecoando à 30 metros de distância de mim, acompanhado do sorriso aberto. Esse seu maldito sorriso bonito. Eu detesto ele. Detesto todo o efeito que ele tem... O efeito insano de me tirar toda a sensação das minhas pernas, de me dar borboletas gigantes no estômago, de me fazer esquecer como se respira. Eu nunca tinha percebido o que é realmente se apaixonar. Gostei de uns tantos garotos finos por aí, uns tantos médios, uns tantos que não marcaram. Já conheci mesmo muita gente, gostei de um bom tanto deles.... Mas você... ahh, você! Por que logo você? Tanta gente para mexer comigo feito uma colher mexe uma xícara de chocolate quente, com um gole grande de vodca... Tanta gente. E eu caí logo em você. Cai feito boba mesmo. Sem nem pestanejar. Mas sabe... Eu meio que gosto disso tudo, gosto da confusão que você faz na minha cabeça. Mesmo que doa. Eu sei que eu tenho algo ao que me apegar forte, mesmo que eu caia depois...

Pelo bem ou pelo mal, foram nos teus olhos verde-mar que eu encontrei o sentido das coisas foi ali que eu entendi... Entendi toda essa história de paixão, de estar apaixonada. Essa loucura toda. Cinco meses e sete dias. E eu ainda não me cansei de você, eu não adquiri a imunidade tão conhecida por mim. Eu cansei de mascaras sobre meu rosto, escondendo tão bem tudo o que eu quero berrar. Um olhar nos meus olhos méis basta para entender que você ainda vive em mim. Sua chama queima forte no meu peito, batucando contra as paredes do meu coração. Eu sei que ainda não é hora. Ainda não é o momento de desistir de vez de você, talvez a estrelas e as conchas do mar tenham um futuro, mesmo que breve e rápido, reservado para nós. Mas ainda não é hora. Eu sinto isso porque cada vez que estou pronta para te despedaçar dentro de mim.. Você me surge com um sorriso ainda mais bonito que os antigos, e eu caio na tua rede outra vez. Feito presa boba, inconsciente, inconsequente, abobalhada. Eu me prendo ali, sem tentar fugir. Um ciclo vicioso, quando menos espero não tenho nada seu.. Mas aí você me vem, se trazendo para mim. E eu te aceito. Hoje, ontem, amanha, sempre. Te aceito por ter sido o único que me marcou a ferro e fogo, e o único com quem eu permaneceria sem pensar.
Eu quero te salvar,garoto. Quero te proteger, te dar colo. Preciso que você precise de mim, como um coração precisa de sangue. Venoso e arterial. Juntos, formando uma coisa só. Um se fundindo no outro. O outro fundindo no um.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mariana Albarelli, 16 anos. Sou completamente apaixonada por animais, e pelos meus amigos. Solteira não é um estado para mim, é a única forma da minha vida. F.R.I.E.N.D.S é a melhor coisa já inventada, assim como Cold Case, Pretty Little Liars. Devoro três fanfics por semana, assim como engulo livros. Simplesmente não vivo sem música, sem a minha gata de estimação,  a Lua. Não suporto olhar para quem machuca animais, e só não penso em fazer veterinária por saber que não suportaria perder nenhum animal em minhas mãos. Adoro cozinhar, principalmente doces e para meus amigos, mas odeio lavar a louça e limpar a bagunça que deixo depois. Sou da filosofia de que você só deve satisfações para quem se importa com você, se não se importa, bom... não tem o que falar da sua vida. Sempre quero passar a imagem de rígida, mas sou tão sensível quanto qualquer garota. E cada vez que me apaixono... bom, é um tanto quanto intenso. Acho azul a cor mais linda de todas, e não vivo sem música. Ouço de tudo, menos funk, forró e gospel. Não tenho medo de ser feliz e não desisto dos meus objetivos, doa a quem doer. Tenho meus sonhos traçados, e não desisto do que quero. Por nada.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sei lá…. Me deu saudades do seu sorriso malandro vindo de encontro ao meu. Eu escrevo quanto me dá saudades sabia? Tenho tido essas saudades desde nosso último beijo, tem mais de duas semanas, querido. Mas não me dei ao luxo de tirar esse sentimento todo de dentro do meu peito. Até essa madrugada. Nessa madrugada eu lembrei. Lembrei nossos lábios tão vermelhos quanto sangue. E a Lua ali, olhando pra gente com aquela cara gorda que ela tem. Ah.. a Lua. O que seria das historias de amor sem ela? Tão companheira das conversas intermináveis em noites longas, preenchidas de corações partidos. Ahh se aquele canto escuro falasse, o que seria de nós? Não seria nada. A distância insiste em se colocar entre as pessoas importantes em minha vida e a trouxa que martela as teclas pretas do notebook aqui. Não seria nada, não somos nada. Talvez, só talvez, a melhor de todas as soluções insanas é me agarrar a essas lembranças. Duas noites e uma manhã. Lembra como estava quente naquele nosso último dia? Naquele sábado? Andamos lado a lado para nosso beco, sem nos tocar até sumirmos da vista cruel das pessoas. Assim que estávamos longe o suficiente, você encaixou seus dedos nos meus. Assim, sem nenhuma palavra. Aquilo mexeu comigo. Ninguém nunca andou de mãos dadas comigo tão tranquilamente. Você não tinha vergonha, nem medo. E durante as madrugadas, desfilava assim comigo pelo hotel, passando o polegar calmamente sobre as costas da minha mão. Não precisávamos de palavras ali, não precisávamos de nada. Um olhar, um sorriso, e eu estava nos teus braços outra vez. E foi assim naquela manhã, você me conduziu até aquele canto afastado,  me encostou na parede como vinha fazendo… Passou os dedos pela minha bochecha direita, olhou nos meus olhos, e só então me beijou. Você partia o beijo e encostava sua testa na minha, olhando fundo nos meus olhos. Eu sorria, e recebia seu sorriso de volta. Era um sorriso gostoso de ser, o mesmo sorriso que eu tenho agora na minha mente… Sei lá, é diferente lembrar disso. Não é como se eu desse um rim para te ter ao meu lado, mas não é como se não desse nada… Tinha algo na forma como você me tocava naquela manhã de início de Janeiro do suposto último ano do mundo.. 2012. O ano em que tudo pode mudar. E mudou para mim. Pela primeira vez, me tocaram como se tivessem medo de me quebrar ao mais leve toque. Como se realmente se importasse comigo. Mudou algo aqui dentro do meu peito todo ferrado, cheio de buracos e calabouços. Não, não é como se você estivesse se tornando meu novo amor, meu novo vício. Mas você me mostrou uma coisa fantástica, e que há tempos eu não sabia mais como era sentir isso. Por meio dos seus toques frágeis, dos seus beijos mesclados de doçura e vontade, você me mostrou que ainda existe a esperança. Você me devolveu o que eu jurava que havia perdido há meses, anos.  Tem uma fagulha nova no espaço junto do meu coração. E eu te agradeço todos os instantes por isso. Porque, se o pior erro de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la, a maior redenção é mostrar que ainda existe esperança. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Eu me retiro, eu me descanso de tudo isso. A vida tá me cansando, entende? O meu mundo detalhadamente criado e moldado com as gotas finas e vermelhas do meu sangue, venoso e arterial trabalhando juntos, caindo na minha cabeça. Soterrando meus pensamentos, deixando-os cada vez mais aleatórios, cada vez mais insanos. Minha maior vontade insana nesse momento perdido no tempo e no espaço, dia 21 de Janeiro de 2012 em plena madruga, 02:53 de uma noite com um vento frio e regada a insônia chata e medo dos sonhos, é voltar ao tempo em que não haviam tantas complicações ingratas na minha vida simplória. Sentimentos simples, vontades simples, situações simples, pessoas simples. Éramos dois. Três, no máximo. Nada de sujeitos compostos, ocultos ou indefinidos. Não tínhamos duvidas definitivas, éramos completos apenas pela presença do ser parado ao nosso lado.  Há a necessidade do toque, do cheiro, do gosto. Precisamos sentir, saber que não somos os únicos ali, aqui, acolá.
Ando sentindo falta de alguém para segurar minha mão enquanto o mundo me aplica outra dose da injeção dolorosa dele. Falta de alguém para me sussurrar no escuro que tudo ficará bem,  falta de um abraço silencioso.  Da saudades da sensação de que eu não sou a única sentindo a dor que corta fundo meu peito machucado. Saudades de ao menos ter a ilusão de que eu não estou sozinha nessa batalha difícil de ser vencida. Não sou uma em um milhão, sou uma contra um milhão.
Me dá saudades até mesmo do meu antigo sorriso, tão pleno, tão plano. Não era algo assim, tão forçado. Forçado de tal forma que se torna uma carranca, por inúmeras vezes. Uma carranca de desgosto. Não me conheço mais, não existe mais a naturalidade de caminhar por dentre meus corredores infinitos de pensamentos sem ao mesmo tatear para saber onde estou. Agora, preciso tatear, preciso de luzes, mapas, bússolas... Tudo que me indique a direção. Estou perdida dentro do meu próprio eu, presa dentro de meu próprio corpo. Tic tac, tic tac, tic tac. O incontável tic tac da bomba relógio alojada debaixo do meu coração é sufocante. A explosão é um mistério. Não sei quando, onde, com quem. Mortos e feridos? Ahh querido, queria eu saber se haverão danos sérios. Queria descobrir qual será meu dano nisso tudo. Pouco importa agora. Tempo ao tempo, comer pelas beiradas do prato de sopa quente. Minha avó dizia que o meio queimava, temos que chegar lá com cuidado, carinho, senão nos machucamos.
Sei que preciso de novas coisas na minha vida. Novas presenças, novas falas, novos cheiros. Mas algo que fique, por favor. Estou despedaçada de coisas que passam rápido demais por cima de mim. Arrancando com a tampa dos dedos dos pés apressados, a tampa do meu coração. Essa correria e falta de interesse tão presente no nosso cotidiano, não deixa as pessoas nem ao mesmo permanecerem mais de uma noite. E depois dessa diversão, dessa felicidade noturna... Bem, resta apenas a mim. Manter o tom de voz calmo, o sorriso desinteressado, o cabelo arrumado, as mãos comportadas, e o coração dilacerado. Fugir do olhar tanto almejado, e lembrar, a cada instante lembrar, de que aquilo não passou de um momento. Um momento estagnado no espaço-tempo da vida. Para sempre eternizado ali, estático. O passado ninguém te tira, o presente você faz, e o futuro... ahh, futuros. Tão cheios de ''e se...?'', tão cheios de incertezas tão certas quanto profundidade de buracos negros localizados na Via Láctea. Tão certo quanto 2+2=7.